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domingo, 21 de março de 2010
QUÉ FROR?
I
Fascínio e perfume trazem os vendedores de flores
Porque geralmente são das raças antigas das índias
Porque solitários olham o público deslocando-se
Mas com a altivez de quem não olha nos olhos
Como a prostituta ciente que não beija na boca
Porque evitam as perguntas pessoais e são
Cinzas contrastantes com as cores vivas das pétalas
Porque encostam discretamente as rosas no peito
Porque em dias de chuva pedem lume
E até um cigarro e protegem um jardim nos braços
E calados - o fumo que exalam tem uma distância que fala
Que nunca colide com o silêncio das plantas.
II
Fascínio e perfume trazem os vendedores de flores
Porque embalam armas de aroma em plástico transparente
Porque avaliam rapidamente os potenciais amantes
Porque adivinham quem ama a continuidade da flor no vaso
Porque aparecem se soletrado um poema no ouvido de alguém
E assim se confunde o conhecimento do seu autor
Porque fazem parte da classe de trabalhadores das abelhas
Mesmo não revelando em baile as flores mais apetitosas.
II e I/II
E fascínio e perfume sobram
Porque tristes saem à rua para ganhar a árvore
Porque reconhecem que também eles
Vendem o amor como um forasteiro
E sempre têm troco para dar na moeda local
Enquanto sonham tecer um tapete de flores
Para que em procissão regressem ao perfume da terra
E fascinados cuidem um roseiral não ambulante.
Pré-poema inédito do (regressado) A. Roma.
MOMENTO ZERO
Pode chover à vontade ............................................(tratar por eu)
O noitibó-de-nuttall acordou não quer saber da armada em dura
Pode chover em sentido ..........................................(tratar por eu)
Nuvens formam filas - dramático carácter ao invés das manhãs
A primavera e os camaradas do hemisfério norte
É nunca perder de vista nas marés do sul ...............(tratar por tu)
O espelho do equinócio das asas de dentro das asas de fora
Nota de teor zoológico: O noitibó-de-nuttall(Phalaenoptilis nuttalli) é uma ave nocturna conhecida por ser a única que hiberna.
Pode chover à vontade ............................................(tratar por eu)
O noitibó-de-nuttall acordou não quer saber da armada em dura
Pode chover em sentido ..........................................(tratar por eu)
Nuvens formam filas - dramático carácter ao invés das manhãs
A primavera e os camaradas do hemisfério norte
É nunca perder de vista nas marés do sul ...............(tratar por tu)
O espelho do equinócio das asas de dentro das asas de fora
Nota de teor zoológico: O noitibó-de-nuttall(Phalaenoptilis nuttalli) é uma ave nocturna conhecida por ser a única que hiberna.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Encontro o Vaso e o Mar
quarta-feira, 25 de março de 2009
palavras pe(r)didas
"Não sei bem onde foi que me perdi;
Talvez nem tenha me perdido mesmo,
Mas como é estranho pensar que isto aqui
Fosse o meu destino desde o começo."
António Cicero
Talvez nem tenha me perdido mesmo,
Mas como é estranho pensar que isto aqui
Fosse o meu destino desde o começo."
António Cicero
Terrível é o caminho que não encolhe na chuva
Onde foi que te perdeste?
Tantas vezes me perdi
Que vezes é preciso perder-se para não mais ser possível achar-se?
Quantas vezes vale desistir?
Em todos os meses depois de janeiro
Se no primeiro turno tudo ficou no irremediável perdido
Onde foi que te perdeste?
Tantas vezes me perdi
Que vezes é preciso perder-se para não mais ser possível achar-se?
Quantas vezes vale desistir?
Em todos os meses depois de janeiro
Se no primeiro turno tudo ficou no irremediável perdido
No espremer da própria água
O que sobra de tudo?
Parece que chega para ti, guardiã da semente que
Um dia, um outro filho, um jovem ligeiro
Desenterrará na primavera por falir
E o velho feiticeiro
Descansar da estranha vida a
Fugir
Quando a juventude morrer de amor
E tomar de luto o pedido do impossível mar
Restarás tu a iludir a velhice das folhas nocturnas
A substituir as palavras
P e r d i d a s
Tantas vezes me perdi em ti e não contigo
Outras vezes nos perdemos connosco e não em nós
Chorará o tempo por te amar tardiamente
O tempo que não chega a tempo de outros amantes,
E o filho, morrerem de amor
O que sobra de tudo?
Parece que chega para ti, guardiã da semente que
Um dia, um outro filho, um jovem ligeiro
Desenterrará na primavera por falir
E o velho feiticeiro
Descansar da estranha vida a
Fugir
Quando a juventude morrer de amor
E tomar de luto o pedido do impossível mar
Restarás tu a iludir a velhice das folhas nocturnas
A substituir as palavras
P e r d i d a s
Tantas vezes me perdi em ti e não contigo
Outras vezes nos perdemos connosco e não em nós
Chorará o tempo por te amar tardiamente
O tempo que não chega a tempo de outros amantes,
E o filho, morrerem de amor
quinta-feira, 12 de março de 2009
o muro e o destino
céu da boca no escuro
assobia para o futuro
comprometido véu
retrocede à voz
melhor não cantar
nada vai passar
olhar no chão desligado
esconde o fado findo
não vá bater no muro
travão do destino
melhor não cantar
nada leva a saltar
assobios arremasados
pedras ensimesmadas
no muro com um pé direito
de ruínas de altura,
rebatendo-se
na ternura da chuva
última voz do destino
refeito
em curvas revestidas
a ecos de
ondas
dentro das tuas luvas
onde sem demora morro,
mora o som
afogado
onde é
melhor não cantar
assobia para o futuro
comprometido véu
retrocede à voz
melhor não cantar
nada vai passar
olhar no chão desligado
esconde o fado findo
não vá bater no muro
travão do destino
melhor não cantar
nada leva a saltar
assobios arremasados
pedras ensimesmadas
no muro com um pé direito
de ruínas de altura,
rebatendo-se
na ternura da chuva
última voz do destino
refeito
em curvas revestidas
a ecos de
ondas
dentro das tuas luvas
onde sem demora morro,
mora o som
afogado
onde é
melhor não cantar
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
olhos teus
........................"Não será bom proibir
........................os beijos interplanetários?"
........................Pablo Neruda
Conduzo a armada planetária
Dirigindo uma expedição aos olhos teus
Tento levar tudo que me permita
Sobreviver no teu planeta duplo
Preparo sem ciência e experiência
A acoplagem nas tuas pupilas
Aterro numa velocidade gigantesca
Que o teu lago salgado amortece
E que forma de vida me aparece!
Consta haver o lado esquerdo e direito do cérebro
A crença que catalogam funções distintas
recordo
Como tentasse descobrir uma diferença
Entre teus olhos gémeos perfeitos
Como um fosse a terra, outro a lua
Como um fosse original, outro a cópia
Concluo os resultados da expedição:
Jamais vi tamanha beleza duplicada
Constato que nunca um poderá ver o outro
Como se a perfeição não se reconhecesse
Alem da visão no espelho.
Os teus olhos - são dois e um olhar
E outro ainda antes de me abandonar
Os teus olhos – são dois e um retrato
Abstracto da alma que duvidas ter
Que não te pede licença para me receber
No olhar penetrante esbarrando na nave
Que te invade a porta entrefechada do coração.
Esqueço já de investigar
Perdido no planeta lugar
Inveja sinto do teu oftalmologista
Do oculista que te aconselhou os óculos de sol
Para alem daquele fotógrafo malabarista
Que ousou tentar reproduzir o irrepetível
Do mundo que te habita num olhar.
Sou eu quem te fita agora
E não há escândalo nesse lugar sagrado
O sentir-me em casa - no templo da origem
Convidas alongando o ângulo da mirada
Eu estrangeiro encantado no seu interior
Delicio-me com as cores da cor dos teus olhos
Passeio no céu que há nos teus sonhos
Mergulho no mar das tuas lágrimas escondidas
Sinto o amor de uma guardada para mim.
Sorris depois - Baptizas a minha alegria
De onde vês vejo um brilho fresco
E nessa luz nasce o meu dia
Revela-se o universo da utopia
Agora descansa
Fecha os olhos suavemente
Cerra neles as ideias do poema explorador
E guarda meu amor - a realidade da paz
Que me dás quando olhas docemente
Para aquilo que é a minha imagem.
Qual a imagem do negativo de
Um beijo nosso?
........................os beijos interplanetários?"
........................Pablo Neruda
Conduzo a armada planetária
Dirigindo uma expedição aos olhos teus
Tento levar tudo que me permita
Sobreviver no teu planeta duplo
Preparo sem ciência e experiência
A acoplagem nas tuas pupilas
Aterro numa velocidade gigantesca
Que o teu lago salgado amortece
E que forma de vida me aparece!
Consta haver o lado esquerdo e direito do cérebro
A crença que catalogam funções distintas
recordo
Como tentasse descobrir uma diferença
Entre teus olhos gémeos perfeitos
Como um fosse a terra, outro a lua
Como um fosse original, outro a cópia
Concluo os resultados da expedição:
Jamais vi tamanha beleza duplicada
Constato que nunca um poderá ver o outro
Como se a perfeição não se reconhecesse
Alem da visão no espelho.
Os teus olhos - são dois e um olhar
E outro ainda antes de me abandonar
Os teus olhos – são dois e um retrato
Abstracto da alma que duvidas ter
Que não te pede licença para me receber
No olhar penetrante esbarrando na nave
Que te invade a porta entrefechada do coração.
Esqueço já de investigar
Perdido no planeta lugar
Inveja sinto do teu oftalmologista
Do oculista que te aconselhou os óculos de sol
Para alem daquele fotógrafo malabarista
Que ousou tentar reproduzir o irrepetível
Do mundo que te habita num olhar.
Sou eu quem te fita agora
E não há escândalo nesse lugar sagrado
O sentir-me em casa - no templo da origem
Convidas alongando o ângulo da mirada
Eu estrangeiro encantado no seu interior
Delicio-me com as cores da cor dos teus olhos
Passeio no céu que há nos teus sonhos
Mergulho no mar das tuas lágrimas escondidas
Sinto o amor de uma guardada para mim.
Sorris depois - Baptizas a minha alegria
De onde vês vejo um brilho fresco
E nessa luz nasce o meu dia
Revela-se o universo da utopia
Agora descansa
Fecha os olhos suavemente
Cerra neles as ideias do poema explorador
E guarda meu amor - a realidade da paz
Que me dás quando olhas docemente
Para aquilo que é a minha imagem.
Qual a imagem do negativo de
Um beijo nosso?
domingo, 4 de janeiro de 2009
1 2 3 experiência - 4 pára
.................................................."Estoy buscando una palavra,
....................................................en el umbral de tu mistério"
Amor
o poema não fala
o próximo por fim falará
.....o da estratosfera de um marajá
.....o da rua do ouro certificado de louvor
.....o da tua dor - carimbada espera
.....o da escada de emergência para o plágio da lua
Falará
não te percas neste
que persegue o de amanha
.....o do poema redondo
.....o do dom original
.....o do ovo do Colombo
.....o da canção capital
Amanha
o poema inspirado
o fado falado na lenda
.....o dos dedos prometidos
.....o dos medos falidos
.....o das emendas impossíveis
A lenda
a seguir terás a prenda
um vida como nunca antes nem nos mares
o poema seguinte ensinará
os outros contarão nos lares aos outros que estão por vir
o amor que viverás amanha
quando leres o sucessor do verso que falará por fim
.........o que os outros versos contados por outros de mim nunca
.................prontos para
.........tal
.........nunca contaram nada comparado com o de amanha cantado
.................para ti
0 poema
que não fala
o próximo o que será?
ser ou não ser
.....o de amanha.
triunfal de um amor conservado em formol para a eternidade.
Mas tu és tão bonita.
Como és bonita!
Bonita não só de ser linda. Bonita em 365 sentidos. Em 360 (de)graus.
Comer, beber, dormir e dizer a razão do dia de seres bonita,
subir na noite as escadas até ao concreto amanha dos teus olhos.
De certo, não é nada bonito, insistentemente escrever - "és tão bonita".
Quase que é mais poético escrever que bonito é atum em espanhol.
Só que, explicar todos os dias porque o atum é bonito conserva apenas o tédio.
....................................................en el umbral de tu mistério"
Amor
o poema não fala
o próximo por fim falará
.....o da estratosfera de um marajá
.....o da rua do ouro certificado de louvor
.....o da tua dor - carimbada espera
.....o da escada de emergência para o plágio da lua
Falará
não te percas neste
que persegue o de amanha
.....o do poema redondo
.....o do dom original
.....o do ovo do Colombo
.....o da canção capital
Amanha
o poema inspirado
o fado falado na lenda
.....o dos dedos prometidos
.....o dos medos falidos
.....o das emendas impossíveis
A lenda
a seguir terás a prenda
um vida como nunca antes nem nos mares
o poema seguinte ensinará
os outros contarão nos lares aos outros que estão por vir
o amor que viverás amanha
quando leres o sucessor do verso que falará por fim
.........o que os outros versos contados por outros de mim nunca
.................prontos para
.........tal
.........nunca contaram nada comparado com o de amanha cantado
.................para ti
0 poema
que não fala
o próximo o que será?
ser ou não ser
.....o de amanha.
ADENDA DO DIA 1
Odeio a ideia da odetriunfal de um amor conservado em formol para a eternidade.
Mas tu és tão bonita.
Como és bonita!
Bonita não só de ser linda. Bonita em 365 sentidos. Em 360 (de)graus.
Comer, beber, dormir e dizer a razão do dia de seres bonita,
subir na noite as escadas até ao concreto amanha dos teus olhos.
De certo, não é nada bonito, insistentemente escrever - "és tão bonita".
Quase que é mais poético escrever que bonito é atum em espanhol.
Só que, explicar todos os dias porque o atum é bonito conserva apenas o tédio.
ADENDA DO DIA 2
Os passarinhos mesmo que não me deixem dormir nas manhas preguiçosas,
os passarinhos cantam com urgência e eu sei que
há um gosto para as coisas,
uma preguiça tambem,
os passarinhos cantam com urgência e eu sei que
há um gosto para as coisas,
uma preguiça tambem,
e uma música que contem o gosto e a indolência,
e a minha prima vera que não diz nada e faz-se tarde para amanha.
Com este trânsito de dúvidas chegaremos tarde à cerimónia.
e a minha prima vera que não diz nada e faz-se tarde para amanha.
Com este trânsito de dúvidas chegaremos tarde à cerimónia.
ADENDA DO DIA 3
...............................................................................................................
...............................................................................................................
...............................................................................................................
...mesmo assim, sabendo que nunca esteve tão perto, de algo mais que não só a adenda do dia 4.
sábado, 27 de dezembro de 2008
sobre(a) a menina
Que não te apague a luz -
que nunca;
sombra, nata de névoa escorre
cega no espelho do império, nas
cataratas espessas da madeira.
Dobram os olhos do pintor real -
no espaço trata uma obcessão,
bando de súplicas para que os teus dias
dialoguem com o sol de uma bandeira.
Que não te canse o lume -
que nunca;
na cauda de menina-luz a cozer ditados
ao animal cioso que cuida belezas.
Bichos quase caseiros - a lareira costurando
o fogo. Que todos te acendam rendados
em pregas de claras cores, modelos
de olhos caprichosos de menina;
esboços e estudos a gris, namorando
a tela-luz do contraste que dominas.
Que nunca! Futuros modernos?
Prendam esses ladrões de ares de altivez,
pois nunca é muito como te vês.
Que nenhum lobo marinho
venha ao sul secar o teu sangue
azul.
Um firme raio - um passo do sol
pincelado séculos atrás, passeia na
na moldura digital na alçada
do hall de entrada do T2.
Pilhas inventam pixels onde sois
princesa, à grande e à castela,
pilhas alcalinas para perpetuar
as meninas,
e a tristeza
de te ver presa
na casa real da
incerteza.
que nunca;
sombra, nata de névoa escorre
cega no espelho do império, nas
cataratas espessas da madeira.
Dobram os olhos do pintor real -
no espaço trata uma obcessão,
bando de súplicas para que os teus dias
dialoguem com o sol de uma bandeira.
Que não te canse o lume -
que nunca;
na cauda de menina-luz a cozer ditados
ao animal cioso que cuida belezas.
Bichos quase caseiros - a lareira costurando
o fogo. Que todos te acendam rendados
em pregas de claras cores, modelos
de olhos caprichosos de menina;
esboços e estudos a gris, namorando
a tela-luz do contraste que dominas.
Que nunca! Futuros modernos?
Prendam esses ladrões de ares de altivez,
pois nunca é muito como te vês.
Que nenhum lobo marinho
venha ao sul secar o teu sangue
azul.
Um firme raio - um passo do sol
pincelado séculos atrás, passeia na
na moldura digital na alçada
do hall de entrada do T2.
Pilhas inventam pixels onde sois
princesa, à grande e à castela,
pilhas alcalinas para perpetuar
as meninas,
e a tristeza
de te ver presa
na casa real da
incerteza.
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