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sábado, 10 de setembro de 2011

Amar, O Mar

Queria amar.te como o mar.
Abraçar.te de onde cheia
e lamber.te o corpo, grão a grão,
numa tarde de Inverno.
Sussurrar-te mansamente, levemente,
como nas manhãs de maré baixa.
Queria ser tua furiosamente,
debater-me nos teus rochedos laminosos
e desfazer-me em espuma branca.
Queria ser una contigo,
numa entrega de perpétua maresia.
Queria amar-te... como o mar.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

poema a duas vozes

à Joana, um pedido de desculpa por usar a mesma estrutura visual que usaste no teu poema. mas como o meu é uma espécie de diálogo, não encontrei outra forma de separar as duas vozes.

quanto ao poema, ainda não é escultura, mas cá fica.

outra coisa, eu juro que tentei meter a nossa epígrafe no canto direito. mas ela recusa-se! então, se alguém souber como o fazer que esteja a vontade para entrar nesta mensagem e metê-la no seu devido lugar.


poema a duas vozes

O que há num nome?
W. Shakespeare

Amei-te no momento em que te concebo.
Olhei o mistério da vida
com mãos trémulas sobre o ventre
e um sorriso nosso, sem medo.

__________________Não concebo a vida sem ti.
__________________O que seria do sol sem o teu riso de terra?
__________________E da casa sem a tua alegre ternura?
__________________E da noite sem a tua mão segura?

Intimamente, sempre soube o teu nome.
Só não era feito de sons ou de letras
mas de leves movimentos na barriga
e de músicas que te cantava em surdina.

__________________Mãe, nome de todas as mães desde sempre
__________________mas que só teu é verdadeiramente.
__________________Só em ti a doce palavra
__________________é olhos de mel, figos no cabelo,
__________________tardes de trigo, noites em novelo.
__________________Só em ti é inteira.

Não sabia amar antes de te saber.
Por ti saltei muros, invadi rios,
rompi montanhas, sangrei abismos.
Por ti sou capaz de Viver.

__________________És o primeiro amor da vida
__________________passagem do escuro
__________________para a própria vida
__________________amor que se multiplica em vida.

Espero de olhos em ti, menina
que um dia embales o que agora tens nos lábios
que te desdobres e multipliques em mão e filha
que de ti se deslumbre o infinito.

__________________E assim não morra o amor em mim
__________________mas continue a existir em nós e no futuro
__________________que estes nomes sejam fruto maduro
__________________da árvore do nosso jardim.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Desculpem o atraso!

No interior do meu peito
despeço-me do que
o meu amor não tem.

Até a voz do mar se torna exílio
neste momento em que me deixas dormindo
recusando o que é desfeito,
o que é passado de tão partido.

Partes sem dar importância nenhuma
à porta que se fecha, ao livro esquecido,
à cama que morre muda
na imensidão de lençóis perdidos.

O meu olhar é como um girassol
plantado nas tuas costas nuas
e a luz que nos rodeia é como grades
prendendo-me onde me não escutas.

[Nunca são as coisas mais simples que acontecem
quando as esperamos.]

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

companheiros, na tentativa de fazer o trabalho de casa acabei fazendo a continuação do mesmo. no lugar da certeza, saiu-me a ambiguidade.

este exercício deu-me uma enorme vontade de escrever sobre a dança, porque nela tenho momentos onde nao existem palavras, nem tempo, nem espaço. neste poema em específico, quem vos parece que guia? e quem é guiado? gostava de ouvir opiniões.



Mal sei o chão sob os nossos pés
Ou as paredes espectadoras da nossa dança.

Agora – o único tempo que existe –
Sou a leve pressão do teu corpo,
A mão que se aninha no espaço entre as tuas costelas brancas,
A outra que sustenta a tua, flor tão suave;
O corpo que te envolve e protege,
Os pés que te guiam com destreza.

Abrigas timidamente o teu queixo no meu ombro.
Sinto o teu respirar húmido sussurrar-me ao ouvido

e o teu cabelo passear-se no meu rosto.

Será de quem, o coração que se ouve?





sara riobom

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

exercício de humildade e consciencialização

Últimas cenas:

desenhos de baleias
abertas três livros
como pedra artefacto
feito de marfim e
restos de
lâminas partidas esculpidas
caçadas.

Marcação de imagens é um dia mil anos.


o resultado final acabou por me agradar, mas demorou muito mais tempo do que eu tinha previsto. deixei para a última hora o exercício contando não demorar muito e agora estou às voltas com o tempo que escorreu tão depressa. consciencializei-me do que é trabalhar um poema e apercebi-me de que tenho de dedicar mais tempo ao workshop e, em última análise, à poesia. Ana, não sei se o objectivo era este, mas foi uma aprendizagem importante.

abraço