segunda-feira, 9 de abril de 2012

palavras para que vos quero, o terceiro

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"palavras para que vos quero"
3º encontro de literatura infanto-juvenil da s.p.a. 
dia 14 de abril - biblioteca municipal almeida garrett
entrada livre.
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Enquanto não alcançares não descanses - um poema de Miguel Torga




Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcançares
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

domingo, 8 de abril de 2012

a árvore tranquila


Magritte

ao subir a serra pela tarde adversa
não pude olhar o teu rosto na forma habitual;
o sorriso e o mar ;
dedico-te a cor lilás das urzes que enfeitavam o caminho –

na frente do vidro corriam as plantas baixas, as rochas calvas
os pinheiros altos –

na frente do vidro duas histórias, palavras na cabeça e a estrada
razões e falhas, o passado que existe e o futuro que se desenha;
o sonho é uma realidade escondida –

a estrada é lenta, a natureza prende os sentidos
era preciso parar esta lata mecânica e encostar as costas numa rocha
sujar as mãos na terra, colher uma alfazema, escutar o melro e o corvo
que se sentam nas pedras e oscilam as cabeças, pensar melhor as palavras
a forma como as digo, a forma como escondo o grito –

hoje falta-me o tempo para tecer as sedas
não porque não queira, sim pelas pedras, pelo vidro, pelo caminho –
entrego-te o sussurro nocturno das flores
o seu aroma de meses preferidos, um maio colorido
o primeiro mês das praias quando não há barracas às listas
e as marés silenciosas invadem de mãos juntas o areal vazio –

impossível negar a lua, o seu nascimento branco
a circunstância infinita da rotação do mundo
o insustentável no imprevisível humano, o súbito
a seta aguda –

pela noite das estrelas
desejo-te o bom relâmpago, um sono sem temor
o reconforto e o sossego
na mesma forma como me sinto
uma árvore tranquila com uma lua dentro -

sábado, 7 de abril de 2012

Hoje fiz tranças longas

Soluço palavras que não se podem dizer
Versos entrevados e proibidos
As linhas incertas onde se escondem as sombras
O não dito escreve em segredo livros da lua
(há ausências nas paredes etéreas da pele)
Onde dorme o medo agora que a luz branca se estende?
(fogem as formigas, partem sem adeus)
É tempo ora curto ora longo nas pestanas
Um Cronos tão inquieto que desassossega as nuvens
(os escrivãos escondidos anotam os estados emocionais)
Vã tormenta
(Eros chora o ontem e jejua)
Ninguém encontra o sereno rosto das sereias
Noite inquieta
Estranhos segredos escondem os deuses
(trovões)
Ergue-se a estrela mais alta e explode
Nada serena, tudo muda
Nascem poemas nas varandas
As flores sorriem presas nos cabelos longos
São tranças de mudança
Longas, com DNA helicoidal gravado em madeixas.

a carta que te escrevo ( II )




escrevo-te esta carta para que a guardes
sempre,quando juntar cinquenta, escrevo um livro.
vou-te contar, começa assim:

nasceu a manhã uniforme pelos cantos da casa
um dia de feriado, um dia apressado de quem parte
um dia diferente para alguém que faz anos –

a pressão do vento é a mesma, aproxima o sangue
faz deslizar o rio vermelho, aquele que ambos conhecemos
aquele que não oprime os cavalos porque não se domam as ondas
nem o mar –

não vou dirigir as palavras para as águas paradas, para hexágonos de cristal
para que solidifiquem como sal e parem, para que se tornem rotina, iguais
a diferença é ser diferente, cuidar dos teus medos
compreender o espelho dos segredos;
uma viagem interminável, disse –

pergunto-me do que fazes na manhã fria, na noite distante
se te estendes sobre um livro de versos ou prosa de muitas folhas
se encostas os ouvidos nas claves que voam de colunas
não gregas, mas transparentes de ideias mais planas e leves
como penas de ganso numa almofada branca.
será que me ouves quando te deitas na cama ? –

pergunto-me da tua mão, onde pousa , por onde adormece
pergunto-me se roda incessante sobre um taça de creme
ou uma massa de bolo, doce antes de entrar no forno
nesta época de festas –

pergunto-me de um moleiro e de um moinho
de uma lança louca sobre a miragem de Cervantes
moendo farinhas, misturando as nuvens, as imprecisões dos dias
para que se transformem na delicadeza da língua
no tecido de algodão egípcio, o mais fino–

pergunto-me da tua roupa
de um pijama largo rodando sobre as janelas e as portas abertas
rodando na envolvência dos braços numa música redonda
que circula nas artérias e cria o sonho -

pergunto-me de um cão, um gato, um rouxinol abrindo o bico
um papagaio de papel, um areal de praia, as linhas escritas –

pergunto-me do meu juízo e do teu abrigo
de tudo junto como uma cabana na praia, no meio de um autocarro
no centro da cidade, por cima das palmas de um espectáculo –

não seremos o exclusivo do mundo, mas sem recusar raízes
e ramos e folhas de todas as idades, podemos ser um só
ao unir em uníssono os sentidos, um lugar no paraíso –

pergunto-me do teu diário e das palavras que me dizes
se porventura falas comigo como eu falo dos destinos
e lembro a longínqua canção que ouvia, repetida
“how can I tell you”
percorrendo o amor em palavras límpidas, lavadas
unindo o desunível “like the shoreline and the sea”, dizia -

escrevo-te esta carta para que a guardes
como a cronologia de uma harpa, cordas cingidas
derrubando as colinas, a imprevisibilidade dos caminhos
a distância húmida dos anos –


canso-te, sempre me acontece e não quero que te canses
desculpa-me
descansa os musgos e as pestanas pela noite inteira
descansa, adormece em sossego pela planície do silêncio
como se fosse um sonho que se irmana, que se divide
e que se sente de um e de outro lado da semente -

ouço um pêndulo, o tempo avança -

A ponte e a mudança

Há uma aurora boreal nos meus olhos
Enquanto arrumo as estrelas apertadas na mala
(para caberem muitas)
O manto quente transparente que nos cobre
Camada de pele invisível e nua
A que protege as partículas leves do sorriso
Cheias de pequenos espaços vazios
Como nas folhas clorofila com beijos do sol.

Guardo duas ou três nuvens cinzentas e grandes
(afinal chorar é preciso)
Lavar a terra para novas sementes brotarem enfim
Anular o pó invisível do desencanto
Um raio de luz espreita na frincha da mala cheia
(é a luz das estrelas)
O sol disfarçado atrás da lua bem no fundo
(como nas noites cheias e redondas)
A gravidez do globo terrestre redonda e azul
A solidez das árvores a acompanhar a viagem
Ramos nus como um esqueleto a fitar o céu
A raiz profunda a tocar o centro da terra
Do mundo interno do ser em rotação sobre si
A linha paralela até ao universo de luz
Onde cabe o tempo, o espaço e a minha mala cheia de estrelas.
Uma nova viagem começa.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

a tinta no humano


Salvador Dali


há um forte frio na noite repentina
que não apaga chamas nem espalha cinzas.
um pequeno intervalo
como um peppermint num dia de verão
a envolver o calor vermelho, as brasas laranja
insucedido perante a permanência das rosas
a certeza de uma bússola que aponta o norte
que orienta os passos no limite –

não desistas perante as lanças do acaso
as vozes do latifúndio, o mundo de Descartes
que não tremam nem as pernas nem os braços
que não tremam nunca
que não trema no teu regaço o milagre
que não trema a pálpebra
que não trema nenhum dos teus lábios
que não haja lágrimas –


acredita nas estrelas como manto
acredita nessa lua dividida
acredita na substância do sorriso
esquece as fisgas dirigidas, a insubstituível razão
não imagines a profundidade dos abismos –

nem sempre se compreendem as palavras
as palavras são um espelho deformado dos sentidos
não reflectem a seda dos dias, a aura dos veludos
por cada uma que é transparente e parece dizer tudo
há dúzias que afirmam de forma mais cristalina
e há algumas que guardamos, escondidas –

ainda não é domingo e é tão complexa a tinta no humano
até onde nos leva? um espaço aberto, acredito –

a tinta no humano
e quantas vezes a imagino na forma antiga;
o almofariz, a minúcia dos pós, a mistura, a essência que fluidifica –

a tinta no humano
uma tinta que se espalha num quadro, num quarto
que acrescenta a cor, a linha, a forma, a surpresa na subcamada
uma cobertura de óleo que altera e modifica
uma nova aurora, um céu mais claro
a surpresa na cortina –

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Voo

Turva a mudança, estranho Adamastor
Curvado estende os braços
O corpo foge, petrifica e estagna
(Tremor arrastado)
O rosto morde o passado, chora a falta e a noite
Os braços do gigante, o grito amordaçado
(fecham-se os olhos)
Um abraço de nuvens e trevas ergue o corpo
(abrem-se os olhos)
Breve luz, céu redondo e o gigante ri
O corpo voa sobre o abismo
Espectros de luz e sombra
O movimento traz asas de cor
A alma estranha as longas penas coloridas
Crescem do corpo e abrem-se num voo horizontal
O planar do tempo, em linha recta que esgota
O gigante ri.
As asas ficam
Sempre
As penas também.

a carta que te escrevo ( I )


Salvador Dali

escrevo-te esta carta para que a guardes.
hora de almoço de um dia sem nome.
vou contar-te, começa assim:

amanheceu o quarto com uma frincha e um raio que pendurava luz.
no meio dessa luz
os pós ínfimos eram olhos pequenos
em movimento, talvez de electrões e spin, já não recordo essa química –

o rádio na voz grave adequava entoações, notícias, falava de economia
a nossa, a difícil, o corte dos subsídios e algumas de outros países –

apesar das nuvens era um dia de primavera
e a primavera é um contínuo abrir da natureza
as flores e o verde –

um copo de leite branco girou 1 minuto na forma decidida, rodando
na luz do microondas que também se acende
nas células agitadas que se tornam quentes.
o gato branco miou e ergueu os olhos azuis, irresistível
roçou-me as pernas e deixou-me pêlos que levo comigo
nem sacudo nem removo em rolos de cola moderna
levo comigo levo um pouco dele
a sua doçura sossega-me
preciso de sossego -

por vezes a cabeça lateja e queima como se fosse uma gripe ardente
inferna-me as ideias e coloca-me um manto negro sobre os dentes
e sendo assim a vida é um tormento –

mas são estados passageiros, nuvens, trajectos não extensos
e sendo assim um sorriso ou a tua mão sobre a minha testa
transformam de novo o mundo numa vida bela, bonita, certa –

procuro acertar o tempo, essa é a missão, aquela em que me arrisco
a preferível forma mansa de encarar o mundo, a mais morna e doce
nunca a bruta de uma masculinidade fraca de espadas e de um circo romano
dispenso o espectáculo –
mas não podes classificar-me de indiferente perante as dores do mundo.
vejo de um outro modo a metamorfose, a mudança do indigno;
lava-se na justiça, menos melodrama, mais objectivos –

pára agora um pouco, não quero que te canses.
pousa a carta que te escrevo e faz um exercício:
podes esticar-me um dedo que te rodeie o rosto
que pouse de leve no meio dos teus lábios
e podes chamar-me de alien
um deslocado da velocidade que outros querem
para percorrerem precipícios na era hipermoderna –

sou um homem de alma, de misturar almas
de misturar sonhos no mar, nos prédios e nas calçadas –

escrevo-te esta carta para que a guardes
não quero demorar muito e não quero que acabe
quero que seja interminável
que dure para sempre
que tenha continuidade
que se ligue numa próxima
que se eleve pelo vento
e que permaneça

como um ninho e a semente –

5 de abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

HÁ NAS ESTRELAS ANSIEDADE

Vago angor feito de mar e penas
Um banho de verdade nua e jovem
É tão firme a pele que fere
(que comove)
Ver sol poente a morrer para sempre
Perdido no azul salgado e doce
Melancolia escrava do passado
O medo, dentro, cresce, ancorado
Ao músculo a que chamam coração
Do sol poente resta a escuridão
A noite que se ergue em solidão
Desencanta as fadas da doçura
Estrelas adormecidas no luar
Aguardam com anseio o despontar
Do sol quente e calmo da ternura.

Acertando os deuses no cronómetro do tempo


um céu vermelho (fotografia retirada da internet)


Sobretudo a luz que sobrepassa o luar e atravessa o dia
A luz branca de uma noite clara sem receio de ser igual
Sem o medo de ser diferente
Sobretudo o braço o teu olhar redondo
Sobretudo o laço sobre o pescoço e sobre a pele das pernas
No caminhar miudinho de um parque sem nevoeiro
Sobretudo as árvores que nos observam nas suas copas
Sobretudo o ramo que oscila como um leque desenhado
Sobretudo o espaço que não se encontra e sempre se sonha
Sobretudo o embalo morno de dedos sobre os olhos
Sobretudo o linho em fios pequenos
Sobretudo o gato no seu pêlo branco nos seus olhos azuis
Sobretudo o mundo que se escreve na perfeita essência
Sobretudo a sensação da hipérbole o lugar acima
Sobretudo o aroma lilás as glicínias
Sobretudo o jasmim de muitas flores pequeninas
Sobretudo a íris que se ilumina-

Não é o dia complicado de ideias em círculo
Não é o dia da ciência nem do mercado
Não é o dia da cidade –

Há uma linha torta que rodeia as pedras
E amacia os passos
Que faz rodar músicas numa tontura de Swing
Por entre árvores e pássaros que acompanham
Uma orquestra de claves e colcheias seguidas
Um contrabaixo e dez violinos
E o ilícito de ser enorme o salão o parque dos sentidos;
O teu corpo rodando
O arco ousado de um movimento
A revolução da seda e dos diamantes
A luminosidade dos poemas num fim de tarde
Um crepúsculo intenso incendiando cimentos
Um céu vermelho

Acertando os deuses no cronómetro do tempo –


josé ferreira 3 de Abril 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

Era o tempo de Puchkine -um poema de Pablo Neruda


Pablo Picasso

Era o tempo de Puchkine,
a primavera plana,
uma onda de ar
como a vela pura
de um barco transparente
ia pelos prados levantando a erva e o aroma
das germinações.
Perto de Leninegrado os abetos
dançavam uma valsa lenta
de horizonte marinho. Para Leste
caminhavam os motores,
as rodas, a energia,
os rapazes e as raparigas.
Trepidava a estepe,
os cordeiros punham
a sua pontuação nevada
na imensa extensão da ternura.
(…)

Pablo Neruda

segunda-feira, 2 de abril de 2012

LUZ

É estranha a dor da perda
Abismo entranhado na pele que esvazia o olhar
Rosto cinzento de nuvens
Desconexo o sonho vão ruma ao infinito
Onda paralela de saudade que abraça e destroça
A dor joga aos dados, lentamente com o corpo
Num duelo agudo, uterino de rasgo.
Sabor ocre ensimesmado que desenlaça lágrimas
É urgente voar.
Desdizem-se as verdades e os mitos num búzio que canta mar.
A dor é amoral e tem pó nas arestas.
O amor doce de primavera e a graça simples da saudade.
Um tempo que estagna e desaparece.
Como a alma quando morre.
Um embalo frio de tão real
O lado inacabado do nascer
A nua sombra em riste que enfim jaz
Com um novo raio de luz.

sobre as folhas iluminadas uma brisa indelével




no campo imaginário, nos antípodas, fora da cidade
não se viam casas, apenas árvores de copas alinhadas
e os olhos abriam sobre um vale e sobre castanheiros
sobre vários troncos de formas apropriadas, sem singularidades.
do lado esquerdo, dois de varas finas nas mãos do tempo, recentes.
quando seriam grandes? quando seria o momento?
aquele, em que se encontrassem altos
sobre a lisura e em sossego –

não havia casas apenas árvores de copas alinhadas
e havia um plano mesmo que imaginário –

sobre as folhas iluminadas uma brisa indelével
uma promessa de um deus desconhecido
de que um dia, naquele campo
correria a brisa, a brisa indelével
a única possível, definida, no deslizar dos sentidos –

o verde invadia em abundância o campo imaginário
e surgia nítido, junto dos castanheiros, um terreno cultivado de laranjas,
só de flores, sem a cor e ainda sem o globo de sumos -

um aroma intenso e profundo invadia tudo
um pólen precioso, de abelhas sem agulhas de fúrias
daquelas que voam muito, espalhando um ruído de sorrisos
de mãos nas mãos, cruzando e descruzando linhas
caminhos, quiromancias –

no campo imaginário o céu estava claro
usava uma camisa azul com linhas corridas nos pulsos;
algumas nuvens –


não havia escuridão nem medo.
os olhos partiam sobre as flores e havia borboletas
brancas, algumas de desenhos, brancas
asas rodeando as árvores, sem laranjas -

quando se juntam as mãos no campo imaginário
de cada um dos lados há duas que ficam vazias
essa a razão de procurar a substância, essências
flores que habitem –

no campo imaginário não há mãos vazias
colhem flores
sobem múltiplas vezes acima dos lábios, junto às narinas;
aspiram odores, aromas, uma tranquilidade fina, nas narinas –

é como se encerrassem o tempo dentro da cabeça
(uma sala de cinema às escuras, antes de um filme)
uma inconsciência de consequências, de cenas e fotografias;
pedaços autênticos, uma vida –

não sabemos onde mora o inconsciente
não há exemplos, não há espelhos
não sabemos se é gente autónoma
pregando tábuas, abrindo e fechando janelas
arejando a alma como se estendesse roupa
na extensão comprida de arames;
e a roupa oscilando e enroscando-se
na direcção dos ventos –

não sabemos quem comanda o sonho
somos ignorantes, como as abelhas
o pólen e as borboletas –

seguimos uma ordem química, um signo, a desorientação de um excesso
ou a certeza mais certa de um caminho;
a solução das mãos, como uma mistura de sais
uma poção de magia alterando a cor do céu;
a cor intensa, vermelho vivo –

as pálpebras pesam
e os olhos estão para o homem como asas, visíveis e invisíveis,
na luz do sol ou protegidas;

abrem e fecham, sobre o sonho e sobre a vida –

domingo, 1 de abril de 2012

Viagem

Casa grande de portas fechadas
A jovem face do perigo que espreita
O medo trancado sob as fechaduras
É o interno líquido da solidão
O correr intenso da inquietação
Chama em vão a longínqua companhia
Casa grande de identidade em formação
Terno ventre de mobília inteira
O mito inconsciente da borboleta
Na simplicidade da transformação
Mudança corpórea de consequência
O brilho diamante da felicidade
Que veste de fantasia a realidade.
Janelas abertas da casa fechada
Tocam com o olhar a lua solar
Lá em baixo fica só a escuridão
As asas abertas para poder voar
Dormir sobre a lua em nu disfuncional
Colher estrelas-sonhos no sol matinal
Descer rumo à terra à casa gigante
Enchê-la de luz cor de diamante.