Que murmúrios tão distintos são esses
dentro de ti?
São teus e meus os limos arenitos
de uma compota arejada que adia o doce
no precalço da colónia mínima
do tal murmúrio feito por mim
dentro de ti.
Diz-me!Diz-me! Quero ouvir
Não que seja novidade esse novelo
de palavras que afasta a fonte
dos azuis, essa rima clara de
começo de alavanca, um tropeço
que aproxima almas primas
num sorriso de estrelícias
cores escondidas
laranja, azul violeta
queixo verde natureza
alfinete na ponta que bica
os segredos do poeta
corado, quente no Estio
do desejo que apoquenta
aperta um pouco e solta mais
essa veia de minérios preciosos
emocionais.
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
Tenho pressa na partilha de chinelos
"patchwork" escocês
entre o bâton e o quarto
qual sinete louco
marcando o teu corpo.
Trocar-te a camisola do interior
ser a maçã do teu conforto
um sino solto
nas montanhas que subiste
num sorriso sossegado de menino
e eu menina de tranças plenas
entre versos doces
poesias de surpresas.
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
A voz de anjo que me oprime
prende o canto e a corneta do meu céu
a lente que espalha o raio
sem medo de ser
cigarra ou borboleta
escorpião e flamingo
fogueira flamejante
que nos faz subir à Lua
cair na terra e ser semente-
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
Muáh! Muáh!
Schlape! Schlape!
Maria-
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Meninas
Menina princesaDe porte altivo
Brilha toda em ouro
Tem o mundo em volta
Para deslumbrar
Menina menina
De rosto cansado
Vive para dar
Uma vida ao lado
Menina sem luz
Cai a névoa densa
Que o pintor desenha
Cai sobre princesa
Cai sobre menina
Cai como num sonho
A querer transformar
Menina ou princesa
- Em criança
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
O poeta- mar de novo
Ser poeta é ser capaz de resumir o agasalho
e não ter frio.
Mergulhar no Oceano tropical de listas
nos corais belos circundados de caminhos
que não ferem os joelhos os nós dos dedos
e dizê-los
entre risos de golfinhos luzidios
- como são belos alegres elegantes
os caminhos de corais e dos golfinhos.
È tocar o chão do mar às escondidas
das anémonas no colchão das arrecuas
de duzentos caranguejos.
É dançar com lavagantes e lagostas
nos braços de uma sereia
afagar-lhe os cabelos
beijá-la nos cotovelos.
Ser poeta é ser capaz
de sonhar os outros sonhos
entrar num mar de novo
e ser peixe
dentro deles.
e não ter frio.
Mergulhar no Oceano tropical de listas
nos corais belos circundados de caminhos
que não ferem os joelhos os nós dos dedos
e dizê-los
entre risos de golfinhos luzidios
- como são belos alegres elegantes
os caminhos de corais e dos golfinhos.
È tocar o chão do mar às escondidas
das anémonas no colchão das arrecuas
de duzentos caranguejos.
É dançar com lavagantes e lagostas
nos braços de uma sereia
afagar-lhe os cabelos
beijá-la nos cotovelos.
Ser poeta é ser capaz
de sonhar os outros sonhos
entrar num mar de novo
e ser peixe
dentro deles.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Sem sentido consentido
"Não estou seguro"-dir-te-ei
apesar do sorriso, da palavra fácil
há demais por baixo da camisa
um inteerior desfeito de avenidas
circuito veloz, sanguíneo
entre guetos e palácios
terramotos brisas suaves
maremotos planícies
divas ninfas musas
"Sabes- a minha poesia"
"Tão pouco tempo tão curta a vida"
-dir-me-ás enquanto afastas
o caracol de cabelo no aconchego
protector por detrás da orelha
gesto rápido e seguro o teu
natural, simples, água lisa
nas palmas de nenúfar
não sem antes se notar o anel
a pedra larga oval
na mistura cinza do quartzo
e das névoas num cristal
"Pedra larga pequeno o dedo"
dir-te-ia então
como quem diz algo
que nasce de águas paradas
um salto de rã no charco antigo
logo à entrada do parque
entre juncos e risos de azevinhos.
"Frase vulgar sem nexo. Qual
o sentido?Prisão?Dúvida?Talvez
lembrança frágil de mulher!"
-dir-me-ás afirmativa
como se tudo fosse determinado
objectivo, claro como gomo
à volta do caroço de Lichia
ou rubor romã de quartos apertados
face "golden" de maçã feita indiferença
ou "starking" de vestidos
que se soltam pela cabeça
nos tecidos florais de um divã
de braços estendidos
gestos de bocas surdas
palavras mudas, amores depressa
que por asssim serem talvez
não terem qualquer sentido.
"Mas há sempre sentido mesmo
quando tropeçamos"-dir-te-ia
a pedra o socalco, quando não caímos
e apesar do desafio no equilibrio
forte de uma vara, se arranha o céu
e se tenta inseguro na existência
de verdades de alquimista, fazer
caminho, procurar e concluir:
"Às vezes um minuto vale a vida
e nada mais à volta tem sentido"
-dir-te-ei quem sabe
talvez um dia.
apesar do sorriso, da palavra fácil
há demais por baixo da camisa
um inteerior desfeito de avenidas
circuito veloz, sanguíneo
entre guetos e palácios
terramotos brisas suaves
maremotos planícies
divas ninfas musas
"Sabes- a minha poesia"
"Tão pouco tempo tão curta a vida"
-dir-me-ás enquanto afastas
o caracol de cabelo no aconchego
protector por detrás da orelha
gesto rápido e seguro o teu
natural, simples, água lisa
nas palmas de nenúfar
não sem antes se notar o anel
a pedra larga oval
na mistura cinza do quartzo
e das névoas num cristal
"Pedra larga pequeno o dedo"
dir-te-ia então
como quem diz algo
que nasce de águas paradas
um salto de rã no charco antigo
logo à entrada do parque
entre juncos e risos de azevinhos.
"Frase vulgar sem nexo. Qual
o sentido?Prisão?Dúvida?Talvez
lembrança frágil de mulher!"
-dir-me-ás afirmativa
como se tudo fosse determinado
objectivo, claro como gomo
à volta do caroço de Lichia
ou rubor romã de quartos apertados
face "golden" de maçã feita indiferença
ou "starking" de vestidos
que se soltam pela cabeça
nos tecidos florais de um divã
de braços estendidos
gestos de bocas surdas
palavras mudas, amores depressa
que por asssim serem talvez
não terem qualquer sentido.
"Mas há sempre sentido mesmo
quando tropeçamos"-dir-te-ia
a pedra o socalco, quando não caímos
e apesar do desafio no equilibrio
forte de uma vara, se arranha o céu
e se tenta inseguro na existência
de verdades de alquimista, fazer
caminho, procurar e concluir:
"Às vezes um minuto vale a vida
e nada mais à volta tem sentido"
-dir-te-ei quem sabe
talvez um dia.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Abismo à Portuguesa - continuação
Sonha para mim um abismo dourado
Um abismo à portuguesa
Com toda a sua chama, toda a sua Vida
– Assim que houver abismo e assim que houver portuguesas com os seus cabelos sexys e mãos sexys e que com a sua linha dourada teçam o destino do nosso país.
O mar está fora de moda e nós estamos rodeados de mar…
Ao primeiro marinheiro que chegar ao nosso triste povoado – hei-de apanhá-lo na doca
Fazer-lhe um broche à portuguesa – pô-lo louco – fazê-lo vir-sena minha boca –
dentro de mim A literatura vive
Gosto dos escritores que nunca escreveram, sobretudo esses me são favoráveis
Escritores que como Perseu entram nas melhores pastelarias de Montevideu para comerem bolos dourados e mijarem em urinóis de prata.
Mijam em urinóis de prata a dez quilómetros de Montevideu
quero mais do que a vida
Ontem vieram ter comigo homens tristes, acho que lhes dei confiança sou bem capaz disso
Aliás sou capas de tudo e tenho medo disso - nunca te apaixones por mim o mais provável é encontrares-me numa pastelaria de Berlim a fabricar bolos para os escritores comerem enquanto escrevem nos seus guardanapos isto e aquilo porque tudo é isto e aquilo mas será preciso dizê-lo ? Esses guardanapos hão de servir de alimento aos pássaros que não debicam só migalhas, pelo menos os alemães, mas toda uma literatura, todos os guardanapos à saída da esplanada: toda uma literatura de vanguarda comida, reciclada, escondida, descoberta nos casacos dos mortos -- e eu a rir-me com sarah kane – ela ri-se e nós rimo-nos porque somos pessoas a sério ou temos medo de o ser - E porque temos casacos de marca e isso dá conforto.
Tenho um medo violento – Amo tudo quanto fluí tal Milton – do extremo do corpo ao extremo da alma – a experiência mais profunda – um abismo doce e alucinado à portuguesa –
(Como os teus olhos) para onde todos saltem à doida português atrás de português – do extremo do corpo digo –o mar está fora de moda
Mata agora os nossos marinheiros – o peixe está contaminado – a droga vem do mar – os cadáveres vem do mar – vem do mar a literatura triste do nosso país.
porque é que o mar vai e vem? Porque é que ele não fica quieto– a questão foi levantada por um filósofo
Nuno Brito 2009
Um abismo à portuguesa
Com toda a sua chama, toda a sua Vida
– Assim que houver abismo e assim que houver portuguesas com os seus cabelos sexys e mãos sexys e que com a sua linha dourada teçam o destino do nosso país.
O mar está fora de moda e nós estamos rodeados de mar…
Ao primeiro marinheiro que chegar ao nosso triste povoado – hei-de apanhá-lo na doca
Fazer-lhe um broche à portuguesa – pô-lo louco – fazê-lo vir-sena minha boca –
dentro de mim A literatura vive
Gosto dos escritores que nunca escreveram, sobretudo esses me são favoráveis
Escritores que como Perseu entram nas melhores pastelarias de Montevideu para comerem bolos dourados e mijarem em urinóis de prata.
Mijam em urinóis de prata a dez quilómetros de Montevideu
quero mais do que a vida
Ontem vieram ter comigo homens tristes, acho que lhes dei confiança sou bem capaz disso
Aliás sou capas de tudo e tenho medo disso - nunca te apaixones por mim o mais provável é encontrares-me numa pastelaria de Berlim a fabricar bolos para os escritores comerem enquanto escrevem nos seus guardanapos isto e aquilo porque tudo é isto e aquilo mas será preciso dizê-lo ? Esses guardanapos hão de servir de alimento aos pássaros que não debicam só migalhas, pelo menos os alemães, mas toda uma literatura, todos os guardanapos à saída da esplanada: toda uma literatura de vanguarda comida, reciclada, escondida, descoberta nos casacos dos mortos -- e eu a rir-me com sarah kane – ela ri-se e nós rimo-nos porque somos pessoas a sério ou temos medo de o ser - E porque temos casacos de marca e isso dá conforto.
Tenho um medo violento – Amo tudo quanto fluí tal Milton – do extremo do corpo ao extremo da alma – a experiência mais profunda – um abismo doce e alucinado à portuguesa –
(Como os teus olhos) para onde todos saltem à doida português atrás de português – do extremo do corpo digo –o mar está fora de moda
Mata agora os nossos marinheiros – o peixe está contaminado – a droga vem do mar – os cadáveres vem do mar – vem do mar a literatura triste do nosso país.
porque é que o mar vai e vem? Porque é que ele não fica quieto– a questão foi levantada por um filósofo
Nuno Brito 2009
Holocausto Tropical
“Limpa com os dedos o nariz, observa espantado o ranho, deita-o fora ou come-o, o teu gesto não terá ligação com o seguinte”: Jean Genet –Infernos
1
Comemos carne de porco no dia de festa
No dia de festa comemos carne de porco
E qual visita guiada ao Vietname da Alma as nossas festas atraem demónios
E eu manifesto habilmente a minha necessidade de escrever sem escrever
Ou seja viver por ti adentro.
A tua cara tapada por um holocausto tropical
2
Fumámos ontem toda a Gaza –
Uma antiga cidade em mortalha de prata
Os anjos estão presos magneticamente a uma qualquer cidade celeste
Compra no LIDL – tem antenas de prata-
Numa das antenas da CNN urina um pobre cigano
Nunca será notícia
Nuno Brito, 2009
1
Comemos carne de porco no dia de festa
No dia de festa comemos carne de porco
E qual visita guiada ao Vietname da Alma as nossas festas atraem demónios
E eu manifesto habilmente a minha necessidade de escrever sem escrever
Ou seja viver por ti adentro.
A tua cara tapada por um holocausto tropical
2
Fumámos ontem toda a Gaza –
Uma antiga cidade em mortalha de prata
Os anjos estão presos magneticamente a uma qualquer cidade celeste
Compra no LIDL – tem antenas de prata-
Numa das antenas da CNN urina um pobre cigano
Nunca será notícia
Nuno Brito, 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
t-e-m-p-o
O tempo é este instante de tempo
Esta dança entre ser este e ser já outro depois
Danço no tempo
A vida é uma dança de estrelas
Danço no tempo
A vida num instante
As estrelas que dançam em mim
Eu danço nos intervalos da lua
As mulheres dançam na tarefa da dor
Dançam em ritmo no parto e no beijo
Dançam de cor
Sabem tudo de cor
Pintam tudo de cor
Danço no tempo
As mulheres são a vida a quatro tempos
A vida corre neste sorriso de papel
Deixo-te este sorriso por não te poder dar um abraço
(tempo para um abraço)
Deixo-te a vida no tempo incerto de um poema
Uma sutura de tinta na relatividade do tempo
A metafísica do teu beijo, do teu tempo
Esta vida que me corre
Tenho tempo
Todo o tempo
Muito tempo
Na calma doce e lenta
da espera do teu beijo de boa noite.
Esta dança entre ser este e ser já outro depois
Danço no tempo
A vida é uma dança de estrelas
Danço no tempo
A vida num instante
As estrelas que dançam em mim
Eu danço nos intervalos da lua
As mulheres dançam na tarefa da dor
Dançam em ritmo no parto e no beijo
Dançam de cor
Sabem tudo de cor
Pintam tudo de cor
Danço no tempo
As mulheres são a vida a quatro tempos
A vida corre neste sorriso de papel
Deixo-te este sorriso por não te poder dar um abraço
(tempo para um abraço)
Deixo-te a vida no tempo incerto de um poema
Uma sutura de tinta na relatividade do tempo
A metafísica do teu beijo, do teu tempo
Esta vida que me corre
Tenho tempo
Todo o tempo
Muito tempo
Na calma doce e lenta
da espera do teu beijo de boa noite.
O relógio na pedra mármore
Sempre coloco o relógio
na pedra mármore ao deitar.
Esta noite não. Apertou o pulso
na canção pontual do ponteiro
dos segundos
marcando esquecidos sonhos
na noite fria das neves;
um compasso fora d'horas
no fim do concerto da Trindade
cantar de Reis ultrapassados
melodias de Mozart e Vivaldi
orquestra de alunos
Jingle Bells
um coro juvenil
um outro mais avançado.
Notas de músicas crescendo acima
da cúpula antiga no altar dourado.
Sons de eco mais de mil
os ouvintes sentados nem tantos
um grupo de pé jovem, de rastas
e um skate de arte spray.
Dois metais dominantes, um de trompa
e a batuta do maestro escovinha
oscilando a mão entre "sotenutos"
e os tempos moles ou vibratos
de vozes brancas
colarinhos de golas altas
calças de vinco
vestidos sem repas.
Não levei luvas apenas capote
carapuço de costas lustrando
o apoio das semanas de mãos postas
e joelhos de martírio nos "Avés"
dos desejos de pedidos.
Escondi os punhos mangas dentro
lembro-me do revirado relógio
mostrador às voltas mirando
medidos batimentos.
No alto contrabaixo vi a descendência
do pequeno violino nem cabelo
nem o arco nos tempos das cabeças.
Por três vezes caíram os óculos
entre o colo e os joelhos
escorregando o programa
entre as palmas e os silêncios.
Recontei os dias, a vida real:
dez anos de música
crianças pela mão
milhares de passos
na escola antiga
alguns na actual.
Desfiei as diferenças minhas
dos outros que usam barbas
madeixas, olhos pintados:
"que bonita que ficou
aquela rapariga"
e os mais velhos, mais vincados
como eu
neste recuo de idades.
No altar-mor da igreja
a figura do menino em pontos luz
iluminada nos fios descaídos
de àrvore de Natal
de olhar feliz, as mãos ao alto
os pés pequenos e o espírito
que descia e abençoava
os pais queridos, o filho amado.
Não parecia de cerâmica o Jesus
talvez fosse de Deus o brilho
que me lembrou o dia e o vitral
na catedral de Reims
Ontem esqueci-me é verdade
não coloquei o relógio no mármore
e é costume colocá-lo.
na pedra mármore ao deitar.
Esta noite não. Apertou o pulso
na canção pontual do ponteiro
dos segundos
marcando esquecidos sonhos
na noite fria das neves;
um compasso fora d'horas
no fim do concerto da Trindade
cantar de Reis ultrapassados
melodias de Mozart e Vivaldi
orquestra de alunos
Jingle Bells
um coro juvenil
um outro mais avançado.
Notas de músicas crescendo acima
da cúpula antiga no altar dourado.
Sons de eco mais de mil
os ouvintes sentados nem tantos
um grupo de pé jovem, de rastas
e um skate de arte spray.
Dois metais dominantes, um de trompa
e a batuta do maestro escovinha
oscilando a mão entre "sotenutos"
e os tempos moles ou vibratos
de vozes brancas
colarinhos de golas altas
calças de vinco
vestidos sem repas.
Não levei luvas apenas capote
carapuço de costas lustrando
o apoio das semanas de mãos postas
e joelhos de martírio nos "Avés"
dos desejos de pedidos.
Escondi os punhos mangas dentro
lembro-me do revirado relógio
mostrador às voltas mirando
medidos batimentos.
No alto contrabaixo vi a descendência
do pequeno violino nem cabelo
nem o arco nos tempos das cabeças.
Por três vezes caíram os óculos
entre o colo e os joelhos
escorregando o programa
entre as palmas e os silêncios.
Recontei os dias, a vida real:
dez anos de música
crianças pela mão
milhares de passos
na escola antiga
alguns na actual.
Desfiei as diferenças minhas
dos outros que usam barbas
madeixas, olhos pintados:
"que bonita que ficou
aquela rapariga"
e os mais velhos, mais vincados
como eu
neste recuo de idades.
No altar-mor da igreja
a figura do menino em pontos luz
iluminada nos fios descaídos
de àrvore de Natal
de olhar feliz, as mãos ao alto
os pés pequenos e o espírito
que descia e abençoava
os pais queridos, o filho amado.
Não parecia de cerâmica o Jesus
talvez fosse de Deus o brilho
que me lembrou o dia e o vitral
na catedral de Reims
Ontem esqueci-me é verdade
não coloquei o relógio no mármore
e é costume colocá-lo.
Paz congénita
Não consegui aquecer-me nas palavras que me disseste
por escrito. Essas palavras são lenha verde acabada
de apanhar nas florestas onde vive o frio como chagas
em carne viva. São só dor sem bálsamo para curar as chagas.
Não curam de iluminar os sentidos todos acesos – a sombra
das árvores nem sempre é balsâmica. Há longos lugares onde
a luz é corredor de morte e as palavras sobram no silêncio
entre a dor e a dor seguinte quase sem intervalo. E as palavras
são pedintes suplicando um prazer efémero passando pela boca
como um gelado chinês quente e frio. É só na boca o prazer do frio
e do quente que transborda do gelado. A verdade é uma amálgama
que se transforma num todo interior. A verdade nunca é o todo
exterior. A verdade é a sombra da luz que vem de dentro. Tu dizes
e as palavras – a verdade – soam no universo vertendo a realidade
de que tu és capaz. Mas porque não conseguiram aquecer-me
as tuas palavras escritas, quero dizer, não verteram a realidade,
não havia nelas sequer a sombra da luz. Nem as palavras
que transcreveste de uma outra luz soaram à verdade das tuas. Não
as iluminaram. Nem sempre luzes entrelaçadas fazem clara a luz.
Nas palavras quase sempre convergem para uma noite sem estrelas
a não ser que sejam coadas ao sol num vitral de catedral românica
ou gótica onde é sombra iluminada o silêncio surgindo de dentro de ti.
As lágrimas que vejo nos olhos face a face com a morte da inocência
trazida pela luz mortífera de rockets e de obuses sedentos de uns tantos
quilómetros quadrados de terra e de ideologia! Este poder avassalador
da alegria e da liberdade não é luz de aquecer os homens nem o Amor.
E se fizesses explodir o papel pragmático que não vislumbras aos deuses?
Talvez pudesses accionar a força de paz que te é congénita – sem
por escrito. Essas palavras são lenha verde acabada
de apanhar nas florestas onde vive o frio como chagas
em carne viva. São só dor sem bálsamo para curar as chagas.
Não curam de iluminar os sentidos todos acesos – a sombra
das árvores nem sempre é balsâmica. Há longos lugares onde
a luz é corredor de morte e as palavras sobram no silêncio
entre a dor e a dor seguinte quase sem intervalo. E as palavras
são pedintes suplicando um prazer efémero passando pela boca
como um gelado chinês quente e frio. É só na boca o prazer do frio
e do quente que transborda do gelado. A verdade é uma amálgama
que se transforma num todo interior. A verdade nunca é o todo
exterior. A verdade é a sombra da luz que vem de dentro. Tu dizes
e as palavras – a verdade – soam no universo vertendo a realidade
de que tu és capaz. Mas porque não conseguiram aquecer-me
as tuas palavras escritas, quero dizer, não verteram a realidade,
não havia nelas sequer a sombra da luz. Nem as palavras
que transcreveste de uma outra luz soaram à verdade das tuas. Não
as iluminaram. Nem sempre luzes entrelaçadas fazem clara a luz.
Nas palavras quase sempre convergem para uma noite sem estrelas
a não ser que sejam coadas ao sol num vitral de catedral românica
ou gótica onde é sombra iluminada o silêncio surgindo de dentro de ti.
As lágrimas que vejo nos olhos face a face com a morte da inocência
trazida pela luz mortífera de rockets e de obuses sedentos de uns tantos
quilómetros quadrados de terra e de ideologia! Este poder avassalador
da alegria e da liberdade não é luz de aquecer os homens nem o Amor.
E se fizesses explodir o papel pragmático que não vislumbras aos deuses?
Talvez pudesses accionar a força de paz que te é congénita – sem
[palavras.
2009.01.09
José Almeida da Silva
2009.01.09
José Almeida da Silva
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Minúcia difícil de pontas
Desculpa mas sinto a morrinha
a imagem do leão sobre a águia
no alto obelisco da Rotunda
Caem penas de lento oscilar
demoram o tempo do voo da cegonha
entre a tília e árvore das camélias
No centro do banco gasto
no espaço de tábuas abertas
crava-se a ferrugem de follhas
recortadas e o silêncio
no deserto de graus negativos
de ser só um
Um e a natureza por cima do ombro
olhos grandes nas letras pequenas
de um caderno azul de argolas
Um e a caneta de tinta permanente
a das verdades de lâminas aguçadas
chuva de bocas abertas no redondo
das orelhas, versos aos pedaços
flocos bailarinos em dança de estrelas
na minúcia difícil de pontas
sem gente nas areias e terras
de um palco só jardim
No gesto estranho e louco, acto repetido
tudo miudinho, um sal grosso de tintas
aos bocados no bolso do casaco de veludo
ainda dentro de linhas, lado para lado
sem bússola na mistura de letras, dos factos
entre dedos de mistura no poema rasgado
Altero os óculos e as lentes de claro
até escuro, atravesso a alameda
passeio a teimosia na dobra do cabelo
e sopro algum que cai junto ao bico
do sapato, entre o verde e o vermelho
do semáforo
Enquanto surge aquele fio de luz
que espanta o orvalho
e a morrinha feiticeira
nos vazios da cidade.
a imagem do leão sobre a águia
no alto obelisco da Rotunda
Caem penas de lento oscilar
demoram o tempo do voo da cegonha
entre a tília e árvore das camélias
No centro do banco gasto
no espaço de tábuas abertas
crava-se a ferrugem de follhas
recortadas e o silêncio
no deserto de graus negativos
de ser só um
Um e a natureza por cima do ombro
olhos grandes nas letras pequenas
de um caderno azul de argolas
Um e a caneta de tinta permanente
a das verdades de lâminas aguçadas
chuva de bocas abertas no redondo
das orelhas, versos aos pedaços
flocos bailarinos em dança de estrelas
na minúcia difícil de pontas
sem gente nas areias e terras
de um palco só jardim
No gesto estranho e louco, acto repetido
tudo miudinho, um sal grosso de tintas
aos bocados no bolso do casaco de veludo
ainda dentro de linhas, lado para lado
sem bússola na mistura de letras, dos factos
entre dedos de mistura no poema rasgado
Altero os óculos e as lentes de claro
até escuro, atravesso a alameda
passeio a teimosia na dobra do cabelo
e sopro algum que cai junto ao bico
do sapato, entre o verde e o vermelho
do semáforo
Enquanto surge aquele fio de luz
que espanta o orvalho
e a morrinha feiticeira
nos vazios da cidade.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
improvável antologia poética - 1
Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.
Nuno Júdice
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.
Nuno Júdice
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Diagnóstico pouco seguro de um deus côr de laranja - partes 8 e 11
• 8
O velho usa a energia nuclear para tosquiar ovelhas,
Tosquia-as com uma paciência infinita
Às vezes o reactor está avariado
Outras vezes pega no seu pente atómico e vai pentear macacos
Penteia-os muito bem, risco ao meio, um bocado de gel…
Gel atómico
Todos janotas, dispostos em fila!
Já estão prontos para assistir à conferência sobre a força do átomo
Uma vez em Hiroshima queriam tosquiar ovelhas
Mas falhou qualquer coisa
Houve um grande erro
As causas ainda estão por apurar
Morreram bastantes pessoas
Ficaram sombras especadas no chão
Sem corpo
Só sombras
• 11
O faraó passava as tardes a jogar tétris...
Os escravos empurravam as peças de acordo com um sistema de cordas,
As peças desciam à medida que os escravos iam soltando a corda dos rolamentos,
De acordo com as decisões do faraó os escravos tinham que rodar e encaixar as peças umas nas outras. Em baixo alguns escravos retiravam as que já não eram necessárias. O contramestre sentado num balcão dourado, decidia quais as próximas peças a sair. Acorriam espectadores do alto e do baixo Egipto e também vinham estrangeiros que estacionavam os seus camelos em frente ao grande templo de jogo para ver o faraó a jogar. Os escravos a serem chicoteados pelos capatazes, a rodarem as peças, a encaixá-las. Cada linha era celebrada pelo país inteiro. Os deuses estavam presentes no jogo, Eram invocados. O cheiro a incenso era fortíssimo…
Nuno Brito, 2007
O velho usa a energia nuclear para tosquiar ovelhas,
Tosquia-as com uma paciência infinita
Às vezes o reactor está avariado
Outras vezes pega no seu pente atómico e vai pentear macacos
Penteia-os muito bem, risco ao meio, um bocado de gel…
Gel atómico
Todos janotas, dispostos em fila!
Já estão prontos para assistir à conferência sobre a força do átomo
Uma vez em Hiroshima queriam tosquiar ovelhas
Mas falhou qualquer coisa
Houve um grande erro
As causas ainda estão por apurar
Morreram bastantes pessoas
Ficaram sombras especadas no chão
Sem corpo
Só sombras
• 11
O faraó passava as tardes a jogar tétris...
Os escravos empurravam as peças de acordo com um sistema de cordas,
As peças desciam à medida que os escravos iam soltando a corda dos rolamentos,
De acordo com as decisões do faraó os escravos tinham que rodar e encaixar as peças umas nas outras. Em baixo alguns escravos retiravam as que já não eram necessárias. O contramestre sentado num balcão dourado, decidia quais as próximas peças a sair. Acorriam espectadores do alto e do baixo Egipto e também vinham estrangeiros que estacionavam os seus camelos em frente ao grande templo de jogo para ver o faraó a jogar. Os escravos a serem chicoteados pelos capatazes, a rodarem as peças, a encaixá-las. Cada linha era celebrada pelo país inteiro. Os deuses estavam presentes no jogo, Eram invocados. O cheiro a incenso era fortíssimo…
Nuno Brito, 2007
Abismo à portuguesa
Para Vitor Teves
Tenho medo que Jesus não me esporre hoje na boca
não me esporre hoje na boca senhor jesus!
Senhor jesus senhor jesus senhor Jesus
“Escrever é corrigir a vida”*
E o esperma que escorre dos lábios de Maria
há de gerar um Semi-Deus Forte
feito para desenhar uma anunciação a tinta dourada
Trezentas mil ovelhas caminham rumo a um “abismo à portuguesa”
O decifrador de sinais vê nesta frase uma absurda falta de simbologia,
Ele sabe que eu adoro de uma forma bem primitiva um hitler recém nascido
Com as suas cuequitas apertadas e o rugido do mundo que clama por um Mão de Ferro
Deliro só de imaginar o seu doce esperma quentinho na minha boca
De Mona a Lisa
De Lenine
Ontem dei a mão a virgílio, Ele guiou-me pela tua boca,
Conduziu-me à máxima experiência humana,
O estremecimento de um holocausto digital
Bem fundo nos teus olhos
A Anunciação
* Enrique Vila-Matas
Nuno Brito, 2009
Tenho medo que Jesus não me esporre hoje na boca
não me esporre hoje na boca senhor jesus!
Senhor jesus senhor jesus senhor Jesus
“Escrever é corrigir a vida”*
E o esperma que escorre dos lábios de Maria
há de gerar um Semi-Deus Forte
feito para desenhar uma anunciação a tinta dourada
Trezentas mil ovelhas caminham rumo a um “abismo à portuguesa”
O decifrador de sinais vê nesta frase uma absurda falta de simbologia,
Ele sabe que eu adoro de uma forma bem primitiva um hitler recém nascido
Com as suas cuequitas apertadas e o rugido do mundo que clama por um Mão de Ferro
Deliro só de imaginar o seu doce esperma quentinho na minha boca
De Mona a Lisa
De Lenine
Ontem dei a mão a virgílio, Ele guiou-me pela tua boca,
Conduziu-me à máxima experiência humana,
O estremecimento de um holocausto digital
Bem fundo nos teus olhos
A Anunciação
* Enrique Vila-Matas
Nuno Brito, 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
Um poema de que gosto
Também merece estar neste blogue esta poetisa contemporânea
de que gosto particularmente.
Este poema foi retirado do livro "O canto do vento nos ciprestes"
Vieste como um barco de vento abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me;e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos
que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto às margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
de que gosto particularmente.
Este poema foi retirado do livro "O canto do vento nos ciprestes"
Vieste como um barco de vento abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me;e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos
que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto às margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
1 2 3 experiência - 4 pára
.................................................."Estoy buscando una palavra,
....................................................en el umbral de tu mistério"
Amor
o poema não fala
o próximo por fim falará
.....o da estratosfera de um marajá
.....o da rua do ouro certificado de louvor
.....o da tua dor - carimbada espera
.....o da escada de emergência para o plágio da lua
Falará
não te percas neste
que persegue o de amanha
.....o do poema redondo
.....o do dom original
.....o do ovo do Colombo
.....o da canção capital
Amanha
o poema inspirado
o fado falado na lenda
.....o dos dedos prometidos
.....o dos medos falidos
.....o das emendas impossíveis
A lenda
a seguir terás a prenda
um vida como nunca antes nem nos mares
o poema seguinte ensinará
os outros contarão nos lares aos outros que estão por vir
o amor que viverás amanha
quando leres o sucessor do verso que falará por fim
.........o que os outros versos contados por outros de mim nunca
.................prontos para
.........tal
.........nunca contaram nada comparado com o de amanha cantado
.................para ti
0 poema
que não fala
o próximo o que será?
ser ou não ser
.....o de amanha.
triunfal de um amor conservado em formol para a eternidade.
Mas tu és tão bonita.
Como és bonita!
Bonita não só de ser linda. Bonita em 365 sentidos. Em 360 (de)graus.
Comer, beber, dormir e dizer a razão do dia de seres bonita,
subir na noite as escadas até ao concreto amanha dos teus olhos.
De certo, não é nada bonito, insistentemente escrever - "és tão bonita".
Quase que é mais poético escrever que bonito é atum em espanhol.
Só que, explicar todos os dias porque o atum é bonito conserva apenas o tédio.
....................................................en el umbral de tu mistério"
Amor
o poema não fala
o próximo por fim falará
.....o da estratosfera de um marajá
.....o da rua do ouro certificado de louvor
.....o da tua dor - carimbada espera
.....o da escada de emergência para o plágio da lua
Falará
não te percas neste
que persegue o de amanha
.....o do poema redondo
.....o do dom original
.....o do ovo do Colombo
.....o da canção capital
Amanha
o poema inspirado
o fado falado na lenda
.....o dos dedos prometidos
.....o dos medos falidos
.....o das emendas impossíveis
A lenda
a seguir terás a prenda
um vida como nunca antes nem nos mares
o poema seguinte ensinará
os outros contarão nos lares aos outros que estão por vir
o amor que viverás amanha
quando leres o sucessor do verso que falará por fim
.........o que os outros versos contados por outros de mim nunca
.................prontos para
.........tal
.........nunca contaram nada comparado com o de amanha cantado
.................para ti
0 poema
que não fala
o próximo o que será?
ser ou não ser
.....o de amanha.
ADENDA DO DIA 1
Odeio a ideia da odetriunfal de um amor conservado em formol para a eternidade.
Mas tu és tão bonita.
Como és bonita!
Bonita não só de ser linda. Bonita em 365 sentidos. Em 360 (de)graus.
Comer, beber, dormir e dizer a razão do dia de seres bonita,
subir na noite as escadas até ao concreto amanha dos teus olhos.
De certo, não é nada bonito, insistentemente escrever - "és tão bonita".
Quase que é mais poético escrever que bonito é atum em espanhol.
Só que, explicar todos os dias porque o atum é bonito conserva apenas o tédio.
ADENDA DO DIA 2
Os passarinhos mesmo que não me deixem dormir nas manhas preguiçosas,
os passarinhos cantam com urgência e eu sei que
há um gosto para as coisas,
uma preguiça tambem,
os passarinhos cantam com urgência e eu sei que
há um gosto para as coisas,
uma preguiça tambem,
e uma música que contem o gosto e a indolência,
e a minha prima vera que não diz nada e faz-se tarde para amanha.
Com este trânsito de dúvidas chegaremos tarde à cerimónia.
e a minha prima vera que não diz nada e faz-se tarde para amanha.
Com este trânsito de dúvidas chegaremos tarde à cerimónia.
ADENDA DO DIA 3
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...mesmo assim, sabendo que nunca esteve tão perto, de algo mais que não só a adenda do dia 4.
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