"Bonitas as árvores?" e tu dizes nada
atento ao toque, trinados metálicos
feitos de moda e metal imediato
"A Bolsa sabes! Não é dia! LIgou-me
o Estevão!"
Assinei de palmas as penas do chão
as folhas castanhas secas fluídas
carapaça olfactiva de terra negra
e de uma formiga essa sim atarefada
de um ponto branco, uma migalha.
Centrei-me nela indefesa tão pequena
ampliei de vista as antenas, a cabeça
ametista, a pata levantada soltando
a baga, a gota cansada de caminho
e ela fugindo, ela por baixo
por cima a migalha.
"Gosto das árvores no Outono
erguem os braços fortes, finos!
Vês deste lado, um esquiço
um "Siza" chino, traços leves
fundo azul.
Gosto das cores cambiantes matiz
o som dos passos na forma elástica
interminável de um poema, estala."
E tu calado estendes a mão no meu ombro
afagas a pele; que interessa a palavra
a biologia do resto?
"Não queres sentar? Abrimos o jornal
não sujas o fato. Anda. Aqui no relvado.
Lembras-te do silêncio da Serra
no casebre de madeira da Estrela?
"A Bolsa sabes! A todo o momento..."
E os meus olhos dentro de mim:
vejo um prado longo de verde
umas meias longas brancas
umas tranças
uma Alice de tufos macios
um relógio grande de fadas
e imagino outras palavras:
"Bonitas as árvores?"
- Sim! Bonitas as árvores contigo ao lado!"
Maria-
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
As griffes de coração
Escadas verde alface
as portas de laranja;
casa de artista
- óculos rectângulo azul turquesa
sobrancelhas à janela
arquitectura moderna
minimalista, estanque
cores opostas e pelugens;
faltam os ursos pandas
pendurados nos bambus.
Gogos largos muitos dividem salas
criam transparências nos átrios clínicos
chão de tábuas largas corridas pretas
nos brilhos dos trabalhos das abelhas.
Um catálogo de lugares exaustos
sem vivências: procuro onde são
as migalhas, as poeiras, o palco
ricochete de chamas nas palavras
bolas numeradas de bilhar
cruzando tabelas de paredes
brancas, descobertas.
Falta o desmancho de regras
músicas vinil de outras épocas
copos vazios o desamparo de bolos
nos disparos de talheres
bocas abertas;
a toalha entalada de gavetas
cadeiras de pernas coladas
mesas disfarçadas de bandidos
massagens nas provetas dos dedos
trocas de calcanhares diferentes.
Faltam as ondas quando escorregam
os cotovelos as gargalhadas soltas
de uma mufla fumos de enxofre
cor de açafrão.
Esta casa não existe
não é real
faltam as marcas, as garras
as griffes de coração.
as portas de laranja;
casa de artista
- óculos rectângulo azul turquesa
sobrancelhas à janela
arquitectura moderna
minimalista, estanque
cores opostas e pelugens;
faltam os ursos pandas
pendurados nos bambus.
Gogos largos muitos dividem salas
criam transparências nos átrios clínicos
chão de tábuas largas corridas pretas
nos brilhos dos trabalhos das abelhas.
Um catálogo de lugares exaustos
sem vivências: procuro onde são
as migalhas, as poeiras, o palco
ricochete de chamas nas palavras
bolas numeradas de bilhar
cruzando tabelas de paredes
brancas, descobertas.
Falta o desmancho de regras
músicas vinil de outras épocas
copos vazios o desamparo de bolos
nos disparos de talheres
bocas abertas;
a toalha entalada de gavetas
cadeiras de pernas coladas
mesas disfarçadas de bandidos
massagens nas provetas dos dedos
trocas de calcanhares diferentes.
Faltam as ondas quando escorregam
os cotovelos as gargalhadas soltas
de uma mufla fumos de enxofre
cor de açafrão.
Esta casa não existe
não é real
faltam as marcas, as garras
as griffes de coração.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
olhos teus
........................"Não será bom proibir
........................os beijos interplanetários?"
........................Pablo Neruda
Conduzo a armada planetária
Dirigindo uma expedição aos olhos teus
Tento levar tudo que me permita
Sobreviver no teu planeta duplo
Preparo sem ciência e experiência
A acoplagem nas tuas pupilas
Aterro numa velocidade gigantesca
Que o teu lago salgado amortece
E que forma de vida me aparece!
Consta haver o lado esquerdo e direito do cérebro
A crença que catalogam funções distintas
recordo
Como tentasse descobrir uma diferença
Entre teus olhos gémeos perfeitos
Como um fosse a terra, outro a lua
Como um fosse original, outro a cópia
Concluo os resultados da expedição:
Jamais vi tamanha beleza duplicada
Constato que nunca um poderá ver o outro
Como se a perfeição não se reconhecesse
Alem da visão no espelho.
Os teus olhos - são dois e um olhar
E outro ainda antes de me abandonar
Os teus olhos – são dois e um retrato
Abstracto da alma que duvidas ter
Que não te pede licença para me receber
No olhar penetrante esbarrando na nave
Que te invade a porta entrefechada do coração.
Esqueço já de investigar
Perdido no planeta lugar
Inveja sinto do teu oftalmologista
Do oculista que te aconselhou os óculos de sol
Para alem daquele fotógrafo malabarista
Que ousou tentar reproduzir o irrepetível
Do mundo que te habita num olhar.
Sou eu quem te fita agora
E não há escândalo nesse lugar sagrado
O sentir-me em casa - no templo da origem
Convidas alongando o ângulo da mirada
Eu estrangeiro encantado no seu interior
Delicio-me com as cores da cor dos teus olhos
Passeio no céu que há nos teus sonhos
Mergulho no mar das tuas lágrimas escondidas
Sinto o amor de uma guardada para mim.
Sorris depois - Baptizas a minha alegria
De onde vês vejo um brilho fresco
E nessa luz nasce o meu dia
Revela-se o universo da utopia
Agora descansa
Fecha os olhos suavemente
Cerra neles as ideias do poema explorador
E guarda meu amor - a realidade da paz
Que me dás quando olhas docemente
Para aquilo que é a minha imagem.
Qual a imagem do negativo de
Um beijo nosso?
........................os beijos interplanetários?"
........................Pablo Neruda
Conduzo a armada planetária
Dirigindo uma expedição aos olhos teus
Tento levar tudo que me permita
Sobreviver no teu planeta duplo
Preparo sem ciência e experiência
A acoplagem nas tuas pupilas
Aterro numa velocidade gigantesca
Que o teu lago salgado amortece
E que forma de vida me aparece!
Consta haver o lado esquerdo e direito do cérebro
A crença que catalogam funções distintas
recordo
Como tentasse descobrir uma diferença
Entre teus olhos gémeos perfeitos
Como um fosse a terra, outro a lua
Como um fosse original, outro a cópia
Concluo os resultados da expedição:
Jamais vi tamanha beleza duplicada
Constato que nunca um poderá ver o outro
Como se a perfeição não se reconhecesse
Alem da visão no espelho.
Os teus olhos - são dois e um olhar
E outro ainda antes de me abandonar
Os teus olhos – são dois e um retrato
Abstracto da alma que duvidas ter
Que não te pede licença para me receber
No olhar penetrante esbarrando na nave
Que te invade a porta entrefechada do coração.
Esqueço já de investigar
Perdido no planeta lugar
Inveja sinto do teu oftalmologista
Do oculista que te aconselhou os óculos de sol
Para alem daquele fotógrafo malabarista
Que ousou tentar reproduzir o irrepetível
Do mundo que te habita num olhar.
Sou eu quem te fita agora
E não há escândalo nesse lugar sagrado
O sentir-me em casa - no templo da origem
Convidas alongando o ângulo da mirada
Eu estrangeiro encantado no seu interior
Delicio-me com as cores da cor dos teus olhos
Passeio no céu que há nos teus sonhos
Mergulho no mar das tuas lágrimas escondidas
Sinto o amor de uma guardada para mim.
Sorris depois - Baptizas a minha alegria
De onde vês vejo um brilho fresco
E nessa luz nasce o meu dia
Revela-se o universo da utopia
Agora descansa
Fecha os olhos suavemente
Cerra neles as ideias do poema explorador
E guarda meu amor - a realidade da paz
Que me dás quando olhas docemente
Para aquilo que é a minha imagem.
Qual a imagem do negativo de
Um beijo nosso?
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Sonho
Sonho com um campo verde
Onde caminho
Cresço no orvalho límpido da erva
Contas-me histórias e rio a brincar
Rio e o tempo pára.
Os meus brinquedos são flores
Batalhas, heróis de brincar e espadas de pau
Sonho com a criança que caminha
Dentro de mim a criança
Dentro caminha na dança
No campo verde onde me contas histórias
O cíclico círculo girando
em vida em roda em mudança
A criança cresce e dança
Colhe flores e brinquedos
Os meus brinquedos são flores
A criança cresce e fala
Diz que nada é seu
Só uma flor na sua mão
Por um instante é sua,
Como a estrela cadente que guardo em mim
Para te dar.
Onde caminho
Cresço no orvalho límpido da erva
Contas-me histórias e rio a brincar
Rio e o tempo pára.
Os meus brinquedos são flores
Batalhas, heróis de brincar e espadas de pau
Sonho com a criança que caminha
Dentro de mim a criança
Dentro caminha na dança
No campo verde onde me contas histórias
O cíclico círculo girando
em vida em roda em mudança
A criança cresce e dança
Colhe flores e brinquedos
Os meus brinquedos são flores
A criança cresce e fala
Diz que nada é seu
Só uma flor na sua mão
Por um instante é sua,
Como a estrela cadente que guardo em mim
Para te dar.
domingo, 18 de janeiro de 2009
O aprendiz de harmónica
Não previ a torrente sob o musgo
a queda de pinhão que rapa
tira e põe histórias mágicas
no veludo das estrelas
o condão de varinhas quando
chega o sonho de pinheiros bravos.
Não previ os teus olhos
nas rugas dos meus
julguei-me gasto e cansado
entre as corridas de praias
e os mergullhos de àgua fria.
Desconcertei-me
qual aprendiz de harmónica
na doçura dos teus lábios, no sal
da lágrima feliz que ofereço tua.
És feita de tudo o que seduz
teu corpo é forma única.
Passeio a teu lado
fujo no minuto e volto
nos grãos de terra suja;
nas mãos a flor justa
do canteiro do Palácio
junto à quinta
nas presas margens do rio
que te ilumina o sorriso
os olhos de candeia
na gruta dos segredos
no milagre das rosas
do regaço dos desejos.
a queda de pinhão que rapa
tira e põe histórias mágicas
no veludo das estrelas
o condão de varinhas quando
chega o sonho de pinheiros bravos.
Não previ os teus olhos
nas rugas dos meus
julguei-me gasto e cansado
entre as corridas de praias
e os mergullhos de àgua fria.
Desconcertei-me
qual aprendiz de harmónica
na doçura dos teus lábios, no sal
da lágrima feliz que ofereço tua.
És feita de tudo o que seduz
teu corpo é forma única.
Passeio a teu lado
fujo no minuto e volto
nos grãos de terra suja;
nas mãos a flor justa
do canteiro do Palácio
junto à quinta
nas presas margens do rio
que te ilumina o sorriso
os olhos de candeia
na gruta dos segredos
no milagre das rosas
do regaço dos desejos.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Óleo de amêndoas (agri)doces
Na primeira fase do grupo de trabalho poético acabei por ficar preso a um dos desafios da Ana Luísa. A inversão dos papéis e tentar a interpretação
do género, o colocar-nos na pele. Esse foi um chamamento que me tocou e uma experiência que ficou nos poema que, a partir dessa data, em resposta
ao meu nome de José passei a intitular como os poemas que assino como "Maria-" e começou com o das "Três Marias". Este que aqui vos deixo é mais um.
Óleo de amêndoas (agri)doces
Como se perde alguém
quando nasce uma criança?
- sem estar previsto
como obelisco, sílex de lança
pedra lascada de parto
quando sémen mal guardado
desiquilibra o amor, ameaça
o namoro na balança.
As águas revoltas do choro
que emerge e cansa na hora
dos sonhos, teima o dia.
Aperta o autocolante
de uma fralda tingida, amarela.
Ilumina o pó branco na estante
no livro, nas cruzadas do jornal
no ruído chamusco da novela.
Mãe! Sou mãe
só me sinto de mim e dela
quando ofereço o peito dorido
o braço cansado, o arremesso
de carinho no rodado do berço;
exausto carrocel de sossego.
Meço a almofada bébé do pulso
nas argolas do meu medo
e dentro do sorriso guardo
as dores abertas, os pontos corridos
o assomo claro de estrias
no óleo de amêndoas doces
natas de "Aloe Veras"
falsas de ser milagre.
Faz-me falta a presença do teu ombro
o prometido colo
outro colo de consolo
enquanto fecho os olhos
no descanso da menina
Mãe
faz-me falta a tua mão
um círculo de fogo junto à minha
perto dela. Vem
Vem
embala a Cinderela
a Boa Esperança
- não posso perder ninguém
enquanto dormem os ninhos
na alma de uma criança!
Maria -
do género, o colocar-nos na pele. Esse foi um chamamento que me tocou e uma experiência que ficou nos poema que, a partir dessa data, em resposta
ao meu nome de José passei a intitular como os poemas que assino como "Maria-" e começou com o das "Três Marias". Este que aqui vos deixo é mais um.
Óleo de amêndoas (agri)doces
Como se perde alguém
quando nasce uma criança?
- sem estar previsto
como obelisco, sílex de lança
pedra lascada de parto
quando sémen mal guardado
desiquilibra o amor, ameaça
o namoro na balança.
As águas revoltas do choro
que emerge e cansa na hora
dos sonhos, teima o dia.
Aperta o autocolante
de uma fralda tingida, amarela.
Ilumina o pó branco na estante
no livro, nas cruzadas do jornal
no ruído chamusco da novela.
Mãe! Sou mãe
só me sinto de mim e dela
quando ofereço o peito dorido
o braço cansado, o arremesso
de carinho no rodado do berço;
exausto carrocel de sossego.
Meço a almofada bébé do pulso
nas argolas do meu medo
e dentro do sorriso guardo
as dores abertas, os pontos corridos
o assomo claro de estrias
no óleo de amêndoas doces
natas de "Aloe Veras"
falsas de ser milagre.
Faz-me falta a presença do teu ombro
o prometido colo
outro colo de consolo
enquanto fecho os olhos
no descanso da menina
Mãe
faz-me falta a tua mão
um círculo de fogo junto à minha
perto dela. Vem
Vem
embala a Cinderela
a Boa Esperança
- não posso perder ninguém
enquanto dormem os ninhos
na alma de uma criança!
Maria -
O retrato tranversal
Caiu o copo partiu o vidro
a àgua sumiu no ralo aberto
perto da gelosia.
O ovo de casca fina
estalou ficou ao alto
um Colombo sentado
e dentro
o retrato transversal
no livro antigo a preto e branco
uma célula cozida
de Ciência Natural.
a àgua sumiu no ralo aberto
perto da gelosia.
O ovo de casca fina
estalou ficou ao alto
um Colombo sentado
e dentro
o retrato transversal
no livro antigo a preto e branco
uma célula cozida
de Ciência Natural.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Murmúrios tão distintos
Que murmúrios tão distintos são esses
dentro de ti?
São teus e meus os limos arenitos
de uma compota arejada que adia o doce
no precalço da colónia mínima
do tal murmúrio feito por mim
dentro de ti.
Diz-me!Diz-me! Quero ouvir
Não que seja novidade esse novelo
de palavras que afasta a fonte
dos azuis, essa rima clara de
começo de alavanca, um tropeço
que aproxima almas primas
num sorriso de estrelícias
cores escondidas
laranja, azul violeta
queixo verde natureza
alfinete na ponta que bica
os segredos do poeta
corado, quente no Estio
do desejo que apoquenta
aperta um pouco e solta mais
essa veia de minérios preciosos
emocionais.
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
Tenho pressa na partilha de chinelos
"patchwork" escocês
entre o bâton e o quarto
qual sinete louco
marcando o teu corpo.
Trocar-te a camisola do interior
ser a maçã do teu conforto
um sino solto
nas montanhas que subiste
num sorriso sossegado de menino
e eu menina de tranças plenas
entre versos doces
poesias de surpresas.
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
A voz de anjo que me oprime
prende o canto e a corneta do meu céu
a lente que espalha o raio
sem medo de ser
cigarra ou borboleta
escorpião e flamingo
fogueira flamejante
que nos faz subir à Lua
cair na terra e ser semente-
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
Muáh! Muáh!
Schlape! Schlape!
Maria-
dentro de ti?
São teus e meus os limos arenitos
de uma compota arejada que adia o doce
no precalço da colónia mínima
do tal murmúrio feito por mim
dentro de ti.
Diz-me!Diz-me! Quero ouvir
Não que seja novidade esse novelo
de palavras que afasta a fonte
dos azuis, essa rima clara de
começo de alavanca, um tropeço
que aproxima almas primas
num sorriso de estrelícias
cores escondidas
laranja, azul violeta
queixo verde natureza
alfinete na ponta que bica
os segredos do poeta
corado, quente no Estio
do desejo que apoquenta
aperta um pouco e solta mais
essa veia de minérios preciosos
emocionais.
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
Tenho pressa na partilha de chinelos
"patchwork" escocês
entre o bâton e o quarto
qual sinete louco
marcando o teu corpo.
Trocar-te a camisola do interior
ser a maçã do teu conforto
um sino solto
nas montanhas que subiste
num sorriso sossegado de menino
e eu menina de tranças plenas
entre versos doces
poesias de surpresas.
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
A voz de anjo que me oprime
prende o canto e a corneta do meu céu
a lente que espalha o raio
sem medo de ser
cigarra ou borboleta
escorpião e flamingo
fogueira flamejante
que nos faz subir à Lua
cair na terra e ser semente-
Diz-me! Diz-me! Quero ouvir
Muáh! Muáh!
Schlape! Schlape!
Maria-
Meninas
Menina princesaDe porte altivo
Brilha toda em ouro
Tem o mundo em volta
Para deslumbrar
Menina menina
De rosto cansado
Vive para dar
Uma vida ao lado
Menina sem luz
Cai a névoa densa
Que o pintor desenha
Cai sobre princesa
Cai sobre menina
Cai como num sonho
A querer transformar
Menina ou princesa
- Em criança
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
O poeta- mar de novo
Ser poeta é ser capaz de resumir o agasalho
e não ter frio.
Mergulhar no Oceano tropical de listas
nos corais belos circundados de caminhos
que não ferem os joelhos os nós dos dedos
e dizê-los
entre risos de golfinhos luzidios
- como são belos alegres elegantes
os caminhos de corais e dos golfinhos.
È tocar o chão do mar às escondidas
das anémonas no colchão das arrecuas
de duzentos caranguejos.
É dançar com lavagantes e lagostas
nos braços de uma sereia
afagar-lhe os cabelos
beijá-la nos cotovelos.
Ser poeta é ser capaz
de sonhar os outros sonhos
entrar num mar de novo
e ser peixe
dentro deles.
e não ter frio.
Mergulhar no Oceano tropical de listas
nos corais belos circundados de caminhos
que não ferem os joelhos os nós dos dedos
e dizê-los
entre risos de golfinhos luzidios
- como são belos alegres elegantes
os caminhos de corais e dos golfinhos.
È tocar o chão do mar às escondidas
das anémonas no colchão das arrecuas
de duzentos caranguejos.
É dançar com lavagantes e lagostas
nos braços de uma sereia
afagar-lhe os cabelos
beijá-la nos cotovelos.
Ser poeta é ser capaz
de sonhar os outros sonhos
entrar num mar de novo
e ser peixe
dentro deles.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Sem sentido consentido
"Não estou seguro"-dir-te-ei
apesar do sorriso, da palavra fácil
há demais por baixo da camisa
um inteerior desfeito de avenidas
circuito veloz, sanguíneo
entre guetos e palácios
terramotos brisas suaves
maremotos planícies
divas ninfas musas
"Sabes- a minha poesia"
"Tão pouco tempo tão curta a vida"
-dir-me-ás enquanto afastas
o caracol de cabelo no aconchego
protector por detrás da orelha
gesto rápido e seguro o teu
natural, simples, água lisa
nas palmas de nenúfar
não sem antes se notar o anel
a pedra larga oval
na mistura cinza do quartzo
e das névoas num cristal
"Pedra larga pequeno o dedo"
dir-te-ia então
como quem diz algo
que nasce de águas paradas
um salto de rã no charco antigo
logo à entrada do parque
entre juncos e risos de azevinhos.
"Frase vulgar sem nexo. Qual
o sentido?Prisão?Dúvida?Talvez
lembrança frágil de mulher!"
-dir-me-ás afirmativa
como se tudo fosse determinado
objectivo, claro como gomo
à volta do caroço de Lichia
ou rubor romã de quartos apertados
face "golden" de maçã feita indiferença
ou "starking" de vestidos
que se soltam pela cabeça
nos tecidos florais de um divã
de braços estendidos
gestos de bocas surdas
palavras mudas, amores depressa
que por asssim serem talvez
não terem qualquer sentido.
"Mas há sempre sentido mesmo
quando tropeçamos"-dir-te-ia
a pedra o socalco, quando não caímos
e apesar do desafio no equilibrio
forte de uma vara, se arranha o céu
e se tenta inseguro na existência
de verdades de alquimista, fazer
caminho, procurar e concluir:
"Às vezes um minuto vale a vida
e nada mais à volta tem sentido"
-dir-te-ei quem sabe
talvez um dia.
apesar do sorriso, da palavra fácil
há demais por baixo da camisa
um inteerior desfeito de avenidas
circuito veloz, sanguíneo
entre guetos e palácios
terramotos brisas suaves
maremotos planícies
divas ninfas musas
"Sabes- a minha poesia"
"Tão pouco tempo tão curta a vida"
-dir-me-ás enquanto afastas
o caracol de cabelo no aconchego
protector por detrás da orelha
gesto rápido e seguro o teu
natural, simples, água lisa
nas palmas de nenúfar
não sem antes se notar o anel
a pedra larga oval
na mistura cinza do quartzo
e das névoas num cristal
"Pedra larga pequeno o dedo"
dir-te-ia então
como quem diz algo
que nasce de águas paradas
um salto de rã no charco antigo
logo à entrada do parque
entre juncos e risos de azevinhos.
"Frase vulgar sem nexo. Qual
o sentido?Prisão?Dúvida?Talvez
lembrança frágil de mulher!"
-dir-me-ás afirmativa
como se tudo fosse determinado
objectivo, claro como gomo
à volta do caroço de Lichia
ou rubor romã de quartos apertados
face "golden" de maçã feita indiferença
ou "starking" de vestidos
que se soltam pela cabeça
nos tecidos florais de um divã
de braços estendidos
gestos de bocas surdas
palavras mudas, amores depressa
que por asssim serem talvez
não terem qualquer sentido.
"Mas há sempre sentido mesmo
quando tropeçamos"-dir-te-ia
a pedra o socalco, quando não caímos
e apesar do desafio no equilibrio
forte de uma vara, se arranha o céu
e se tenta inseguro na existência
de verdades de alquimista, fazer
caminho, procurar e concluir:
"Às vezes um minuto vale a vida
e nada mais à volta tem sentido"
-dir-te-ei quem sabe
talvez um dia.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Abismo à Portuguesa - continuação
Sonha para mim um abismo dourado
Um abismo à portuguesa
Com toda a sua chama, toda a sua Vida
– Assim que houver abismo e assim que houver portuguesas com os seus cabelos sexys e mãos sexys e que com a sua linha dourada teçam o destino do nosso país.
O mar está fora de moda e nós estamos rodeados de mar…
Ao primeiro marinheiro que chegar ao nosso triste povoado – hei-de apanhá-lo na doca
Fazer-lhe um broche à portuguesa – pô-lo louco – fazê-lo vir-sena minha boca –
dentro de mim A literatura vive
Gosto dos escritores que nunca escreveram, sobretudo esses me são favoráveis
Escritores que como Perseu entram nas melhores pastelarias de Montevideu para comerem bolos dourados e mijarem em urinóis de prata.
Mijam em urinóis de prata a dez quilómetros de Montevideu
quero mais do que a vida
Ontem vieram ter comigo homens tristes, acho que lhes dei confiança sou bem capaz disso
Aliás sou capas de tudo e tenho medo disso - nunca te apaixones por mim o mais provável é encontrares-me numa pastelaria de Berlim a fabricar bolos para os escritores comerem enquanto escrevem nos seus guardanapos isto e aquilo porque tudo é isto e aquilo mas será preciso dizê-lo ? Esses guardanapos hão de servir de alimento aos pássaros que não debicam só migalhas, pelo menos os alemães, mas toda uma literatura, todos os guardanapos à saída da esplanada: toda uma literatura de vanguarda comida, reciclada, escondida, descoberta nos casacos dos mortos -- e eu a rir-me com sarah kane – ela ri-se e nós rimo-nos porque somos pessoas a sério ou temos medo de o ser - E porque temos casacos de marca e isso dá conforto.
Tenho um medo violento – Amo tudo quanto fluí tal Milton – do extremo do corpo ao extremo da alma – a experiência mais profunda – um abismo doce e alucinado à portuguesa –
(Como os teus olhos) para onde todos saltem à doida português atrás de português – do extremo do corpo digo –o mar está fora de moda
Mata agora os nossos marinheiros – o peixe está contaminado – a droga vem do mar – os cadáveres vem do mar – vem do mar a literatura triste do nosso país.
porque é que o mar vai e vem? Porque é que ele não fica quieto– a questão foi levantada por um filósofo
Nuno Brito 2009
Um abismo à portuguesa
Com toda a sua chama, toda a sua Vida
– Assim que houver abismo e assim que houver portuguesas com os seus cabelos sexys e mãos sexys e que com a sua linha dourada teçam o destino do nosso país.
O mar está fora de moda e nós estamos rodeados de mar…
Ao primeiro marinheiro que chegar ao nosso triste povoado – hei-de apanhá-lo na doca
Fazer-lhe um broche à portuguesa – pô-lo louco – fazê-lo vir-sena minha boca –
dentro de mim A literatura vive
Gosto dos escritores que nunca escreveram, sobretudo esses me são favoráveis
Escritores que como Perseu entram nas melhores pastelarias de Montevideu para comerem bolos dourados e mijarem em urinóis de prata.
Mijam em urinóis de prata a dez quilómetros de Montevideu
quero mais do que a vida
Ontem vieram ter comigo homens tristes, acho que lhes dei confiança sou bem capaz disso
Aliás sou capas de tudo e tenho medo disso - nunca te apaixones por mim o mais provável é encontrares-me numa pastelaria de Berlim a fabricar bolos para os escritores comerem enquanto escrevem nos seus guardanapos isto e aquilo porque tudo é isto e aquilo mas será preciso dizê-lo ? Esses guardanapos hão de servir de alimento aos pássaros que não debicam só migalhas, pelo menos os alemães, mas toda uma literatura, todos os guardanapos à saída da esplanada: toda uma literatura de vanguarda comida, reciclada, escondida, descoberta nos casacos dos mortos -- e eu a rir-me com sarah kane – ela ri-se e nós rimo-nos porque somos pessoas a sério ou temos medo de o ser - E porque temos casacos de marca e isso dá conforto.
Tenho um medo violento – Amo tudo quanto fluí tal Milton – do extremo do corpo ao extremo da alma – a experiência mais profunda – um abismo doce e alucinado à portuguesa –
(Como os teus olhos) para onde todos saltem à doida português atrás de português – do extremo do corpo digo –o mar está fora de moda
Mata agora os nossos marinheiros – o peixe está contaminado – a droga vem do mar – os cadáveres vem do mar – vem do mar a literatura triste do nosso país.
porque é que o mar vai e vem? Porque é que ele não fica quieto– a questão foi levantada por um filósofo
Nuno Brito 2009
Holocausto Tropical
“Limpa com os dedos o nariz, observa espantado o ranho, deita-o fora ou come-o, o teu gesto não terá ligação com o seguinte”: Jean Genet –Infernos
1
Comemos carne de porco no dia de festa
No dia de festa comemos carne de porco
E qual visita guiada ao Vietname da Alma as nossas festas atraem demónios
E eu manifesto habilmente a minha necessidade de escrever sem escrever
Ou seja viver por ti adentro.
A tua cara tapada por um holocausto tropical
2
Fumámos ontem toda a Gaza –
Uma antiga cidade em mortalha de prata
Os anjos estão presos magneticamente a uma qualquer cidade celeste
Compra no LIDL – tem antenas de prata-
Numa das antenas da CNN urina um pobre cigano
Nunca será notícia
Nuno Brito, 2009
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Comemos carne de porco no dia de festa
No dia de festa comemos carne de porco
E qual visita guiada ao Vietname da Alma as nossas festas atraem demónios
E eu manifesto habilmente a minha necessidade de escrever sem escrever
Ou seja viver por ti adentro.
A tua cara tapada por um holocausto tropical
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Fumámos ontem toda a Gaza –
Uma antiga cidade em mortalha de prata
Os anjos estão presos magneticamente a uma qualquer cidade celeste
Compra no LIDL – tem antenas de prata-
Numa das antenas da CNN urina um pobre cigano
Nunca será notícia
Nuno Brito, 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
t-e-m-p-o
O tempo é este instante de tempo
Esta dança entre ser este e ser já outro depois
Danço no tempo
A vida é uma dança de estrelas
Danço no tempo
A vida num instante
As estrelas que dançam em mim
Eu danço nos intervalos da lua
As mulheres dançam na tarefa da dor
Dançam em ritmo no parto e no beijo
Dançam de cor
Sabem tudo de cor
Pintam tudo de cor
Danço no tempo
As mulheres são a vida a quatro tempos
A vida corre neste sorriso de papel
Deixo-te este sorriso por não te poder dar um abraço
(tempo para um abraço)
Deixo-te a vida no tempo incerto de um poema
Uma sutura de tinta na relatividade do tempo
A metafísica do teu beijo, do teu tempo
Esta vida que me corre
Tenho tempo
Todo o tempo
Muito tempo
Na calma doce e lenta
da espera do teu beijo de boa noite.
Esta dança entre ser este e ser já outro depois
Danço no tempo
A vida é uma dança de estrelas
Danço no tempo
A vida num instante
As estrelas que dançam em mim
Eu danço nos intervalos da lua
As mulheres dançam na tarefa da dor
Dançam em ritmo no parto e no beijo
Dançam de cor
Sabem tudo de cor
Pintam tudo de cor
Danço no tempo
As mulheres são a vida a quatro tempos
A vida corre neste sorriso de papel
Deixo-te este sorriso por não te poder dar um abraço
(tempo para um abraço)
Deixo-te a vida no tempo incerto de um poema
Uma sutura de tinta na relatividade do tempo
A metafísica do teu beijo, do teu tempo
Esta vida que me corre
Tenho tempo
Todo o tempo
Muito tempo
Na calma doce e lenta
da espera do teu beijo de boa noite.
O relógio na pedra mármore
Sempre coloco o relógio
na pedra mármore ao deitar.
Esta noite não. Apertou o pulso
na canção pontual do ponteiro
dos segundos
marcando esquecidos sonhos
na noite fria das neves;
um compasso fora d'horas
no fim do concerto da Trindade
cantar de Reis ultrapassados
melodias de Mozart e Vivaldi
orquestra de alunos
Jingle Bells
um coro juvenil
um outro mais avançado.
Notas de músicas crescendo acima
da cúpula antiga no altar dourado.
Sons de eco mais de mil
os ouvintes sentados nem tantos
um grupo de pé jovem, de rastas
e um skate de arte spray.
Dois metais dominantes, um de trompa
e a batuta do maestro escovinha
oscilando a mão entre "sotenutos"
e os tempos moles ou vibratos
de vozes brancas
colarinhos de golas altas
calças de vinco
vestidos sem repas.
Não levei luvas apenas capote
carapuço de costas lustrando
o apoio das semanas de mãos postas
e joelhos de martírio nos "Avés"
dos desejos de pedidos.
Escondi os punhos mangas dentro
lembro-me do revirado relógio
mostrador às voltas mirando
medidos batimentos.
No alto contrabaixo vi a descendência
do pequeno violino nem cabelo
nem o arco nos tempos das cabeças.
Por três vezes caíram os óculos
entre o colo e os joelhos
escorregando o programa
entre as palmas e os silêncios.
Recontei os dias, a vida real:
dez anos de música
crianças pela mão
milhares de passos
na escola antiga
alguns na actual.
Desfiei as diferenças minhas
dos outros que usam barbas
madeixas, olhos pintados:
"que bonita que ficou
aquela rapariga"
e os mais velhos, mais vincados
como eu
neste recuo de idades.
No altar-mor da igreja
a figura do menino em pontos luz
iluminada nos fios descaídos
de àrvore de Natal
de olhar feliz, as mãos ao alto
os pés pequenos e o espírito
que descia e abençoava
os pais queridos, o filho amado.
Não parecia de cerâmica o Jesus
talvez fosse de Deus o brilho
que me lembrou o dia e o vitral
na catedral de Reims
Ontem esqueci-me é verdade
não coloquei o relógio no mármore
e é costume colocá-lo.
na pedra mármore ao deitar.
Esta noite não. Apertou o pulso
na canção pontual do ponteiro
dos segundos
marcando esquecidos sonhos
na noite fria das neves;
um compasso fora d'horas
no fim do concerto da Trindade
cantar de Reis ultrapassados
melodias de Mozart e Vivaldi
orquestra de alunos
Jingle Bells
um coro juvenil
um outro mais avançado.
Notas de músicas crescendo acima
da cúpula antiga no altar dourado.
Sons de eco mais de mil
os ouvintes sentados nem tantos
um grupo de pé jovem, de rastas
e um skate de arte spray.
Dois metais dominantes, um de trompa
e a batuta do maestro escovinha
oscilando a mão entre "sotenutos"
e os tempos moles ou vibratos
de vozes brancas
colarinhos de golas altas
calças de vinco
vestidos sem repas.
Não levei luvas apenas capote
carapuço de costas lustrando
o apoio das semanas de mãos postas
e joelhos de martírio nos "Avés"
dos desejos de pedidos.
Escondi os punhos mangas dentro
lembro-me do revirado relógio
mostrador às voltas mirando
medidos batimentos.
No alto contrabaixo vi a descendência
do pequeno violino nem cabelo
nem o arco nos tempos das cabeças.
Por três vezes caíram os óculos
entre o colo e os joelhos
escorregando o programa
entre as palmas e os silêncios.
Recontei os dias, a vida real:
dez anos de música
crianças pela mão
milhares de passos
na escola antiga
alguns na actual.
Desfiei as diferenças minhas
dos outros que usam barbas
madeixas, olhos pintados:
"que bonita que ficou
aquela rapariga"
e os mais velhos, mais vincados
como eu
neste recuo de idades.
No altar-mor da igreja
a figura do menino em pontos luz
iluminada nos fios descaídos
de àrvore de Natal
de olhar feliz, as mãos ao alto
os pés pequenos e o espírito
que descia e abençoava
os pais queridos, o filho amado.
Não parecia de cerâmica o Jesus
talvez fosse de Deus o brilho
que me lembrou o dia e o vitral
na catedral de Reims
Ontem esqueci-me é verdade
não coloquei o relógio no mármore
e é costume colocá-lo.
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