Só para dizer que apetece comer este blogue
Cito a Natália Correia para quem "a poesia é de comer" - Mas estou atento e de facto adoro o que aqui é dito - Aliás - "O Mar parece azeite" é o acontecimento do milénio - Não vai demorar a uma História da Literatura do século XXI português reconhecer este blogue como Essencial -
Porque é activo, é dinâmico , É BOM - Este é o argumento -
Este bolgue apetece comer!
Continuem a conspirar na Reitoria para criar um MONSTRO POÉTICO indomável.
Eu estou de fora, mas estou atento qual Trotsky de pena na mão pronto para lutar contra as touperias inimigas do literário!
Marquem o jantar! É necessário que a conspiração tenha um lugar físico também!
Saudações poéticas!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Chegaste-me em linhas precisas
ah esqueci-me do epígrafo!
Aqui vai direito:
"What's in a name?"
(Williame Shakespeare, in Romeo and Juliet)
Chegaste-me em linhas precisas.
Ousara balançar-te as letras,
como se em traços espiralados os encontrasse.
Os nomes.
As denominações inconstantes, distantes,
os nomes deselegantes.
Procurava as cotovias e escrevia os elefantes.
Haveria talvez traços de ti nas palavras.
Sonografias amenas.
O som das palavras serenas
em ti.
Se na poeira dos esboços partiste, nada ficou.
Chegaste-me em notas pequenas.
Não por rompantes de luas mas em grafites e penas.
Tracei-te o rosto.
Não serias a curva solta ou o plano interrompido.
De ti a liberdade,
O ponto não definido!
Pois para quê pontuar-te se em desconcerto me abarcas?
Não procuro agora definir-te paredes, se em tectos foste feito para soltar.
Em linha te abrigo, sem nome,
Sem a sede de te traçar.
Pois em ti de perto o traço e a linha por terminar.
E se em ponto de quem termina
A palavra ainda faltar
Abraçarei a tinta-da-china
(ou na tinta que me restar)
o traço de quem assina
o prazer de não nomear.
Maria Inês Beires
(peço imensas desculpas pela demora, mas foi-me mesmo impossível vir cá antes!)
Aqui vai direito:
"What's in a name?"
(Williame Shakespeare, in Romeo and Juliet)
Chegaste-me em linhas precisas.
Ousara balançar-te as letras,
como se em traços espiralados os encontrasse.
Os nomes.
As denominações inconstantes, distantes,
os nomes deselegantes.
Procurava as cotovias e escrevia os elefantes.
Haveria talvez traços de ti nas palavras.
Sonografias amenas.
O som das palavras serenas
em ti.
Se na poeira dos esboços partiste, nada ficou.
Chegaste-me em notas pequenas.
Não por rompantes de luas mas em grafites e penas.
Tracei-te o rosto.
Não serias a curva solta ou o plano interrompido.
De ti a liberdade,
O ponto não definido!
Pois para quê pontuar-te se em desconcerto me abarcas?
Não procuro agora definir-te paredes, se em tectos foste feito para soltar.
Em linha te abrigo, sem nome,
Sem a sede de te traçar.
Pois em ti de perto o traço e a linha por terminar.
E se em ponto de quem termina
A palavra ainda faltar
Abraçarei a tinta-da-china
(ou na tinta que me restar)
o traço de quem assina
o prazer de não nomear.
Maria Inês Beires
(peço imensas desculpas pela demora, mas foi-me mesmo impossível vir cá antes!)
Não passa nada
Saí noite fora de olhos no chão.
Ridículo tropecei no tapete,
no degrau, no fecho da porta
automático- ruído de grilo
aos pedaços no hall vazio!
As caixas dos correios etiquetas
"não obrigado" publicitário
o riso do silêncio atrás das orelhas!
Quiz sair para a noite escura.
Na bofetada poros à pressa
na defesa espantada das navalhas
gélida aragem!
"Não falas! Não falas!"
Nos balões dos meus desenhos:
"Não quero! Não quero as minhas palavras!"
De novo:" Não falas! Nâo falas!"
Mais alto:"Não falas! Não falas!"
Eu mais baixo, coberto de almofadas:
"Não quero! Não posso! Já basta!
Não passa nada!"
Saí porta fora olhos compridos
o chão da entrada o hall vazio!
Gostei do frio.Ajustou os invernos
corpo de cruzeta no varão da escada,
descendo o passeio de bengala
fato e gravata e os pés ao alto
foragido na noite errada!
O céu lá fora! Estrelas nada!
Pingos de vidro nos telhados
um grande iglo gelado
as vidas miudinhas e Gulliver
Poppins a voar de nuvem
e as vidas miudinhas
as cabeças pequeninas!
"Não falas! Não dizes nada!"
Fundo bem fundo no obscuro
circuito do meu mundo:
"Não posso! Não quero! Não passa nada!"
Mais alto:"Não falas! Não falas!"
Fervendo gelos na calçada
"Não posso! Não quero!
Logo volta a madrugada!"
Ridículo tropecei no tapete,
no degrau, no fecho da porta
automático- ruído de grilo
aos pedaços no hall vazio!
As caixas dos correios etiquetas
"não obrigado" publicitário
o riso do silêncio atrás das orelhas!
Quiz sair para a noite escura.
Na bofetada poros à pressa
na defesa espantada das navalhas
gélida aragem!
"Não falas! Não falas!"
Nos balões dos meus desenhos:
"Não quero! Não quero as minhas palavras!"
De novo:" Não falas! Nâo falas!"
Mais alto:"Não falas! Não falas!"
Eu mais baixo, coberto de almofadas:
"Não quero! Não posso! Já basta!
Não passa nada!"
Saí porta fora olhos compridos
o chão da entrada o hall vazio!
Gostei do frio.Ajustou os invernos
corpo de cruzeta no varão da escada,
descendo o passeio de bengala
fato e gravata e os pés ao alto
foragido na noite errada!
O céu lá fora! Estrelas nada!
Pingos de vidro nos telhados
um grande iglo gelado
as vidas miudinhas e Gulliver
Poppins a voar de nuvem
e as vidas miudinhas
as cabeças pequeninas!
"Não falas! Não dizes nada!"
Fundo bem fundo no obscuro
circuito do meu mundo:
"Não posso! Não quero! Não passa nada!"
Mais alto:"Não falas! Não falas!"
Fervendo gelos na calçada
"Não posso! Não quero!
Logo volta a madrugada!"
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Um poema de que gosto
Um dos primeiros livros que li há muitos anos atrás numa
mesa partilhada da Biblioteca Municipal do Porto,
chamava-se "A secreta viagem" de David Mourão Ferreira.
Guardo na memória essas descobertas e alguma propensão
para nem tudo desvendar, dar lugar ao segredo.
Em homenagem a esse lugar, que pode ser a cadeira e
a mesa larga onde me sentei para descobrir o encanto da
poesia, deixo-vos um poema deste autor.
A escada sem corrimão
È uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.
Os degraus, quantos mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.
Sobe-se numa corrida.
Correm-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.
mesa partilhada da Biblioteca Municipal do Porto,
chamava-se "A secreta viagem" de David Mourão Ferreira.
Guardo na memória essas descobertas e alguma propensão
para nem tudo desvendar, dar lugar ao segredo.
Em homenagem a esse lugar, que pode ser a cadeira e
a mesa larga onde me sentei para descobrir o encanto da
poesia, deixo-vos um poema deste autor.
A escada sem corrimão
È uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.
Os degraus, quantos mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.
Sobe-se numa corrida.
Correm-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.
O berço
Enterneci-me com o poema da Sara, o poema
de mãe e filha, o poema de filha e mãe.
Lembrei-me de misturar estas sensações
com os lugares especiais em que alguns de nós
se descobrem, revelando sentimentos, emoções
e ao mesmo tempo resguardando-se numa
certa névoa de mistério.
Este poema coloca dois lugares especiais
de uma outra forma, os lugares dentro das
pessoas. Por isso fala de forma simples e
singela, do berço que embala
e do colo de mãe!
O berço
O berço é de pau-santo;
uma perna mais pequena.
Treme o bébé de surpresa
no jeito que lhe dá
transforma em brincadeira
num baloiço o problema!
Vai e vem na nossa alma
nos precalços da vida
um sentir de mais além;
quando se era feliz
nos braços da nossa mãe!
de mãe e filha, o poema de filha e mãe.
Lembrei-me de misturar estas sensações
com os lugares especiais em que alguns de nós
se descobrem, revelando sentimentos, emoções
e ao mesmo tempo resguardando-se numa
certa névoa de mistério.
Este poema coloca dois lugares especiais
de uma outra forma, os lugares dentro das
pessoas. Por isso fala de forma simples e
singela, do berço que embala
e do colo de mãe!
O berço
O berço é de pau-santo;
uma perna mais pequena.
Treme o bébé de surpresa
no jeito que lhe dá
transforma em brincadeira
num baloiço o problema!
Vai e vem na nossa alma
nos precalços da vida
um sentir de mais além;
quando se era feliz
nos braços da nossa mãe!
o sucumbir de um isolado centro.
I
Um nome no muro
como fugir se regressa intemporal?
Esconjuro tatuado no fogo
conspira contra o afastamento do drama
Sensorial.
A terra treme - o homem teme,
a falha lendária rediviva
lento manto de arruinadas marcas –
fendas mal remendadas,
lamento de vegetação rasteira
costurado por material inflamável.
Soterrado o muro
escava minúsculos veludos
com luvas de mercúrio
ao encontro de vestígios
de um nome puro.
II
"O fundamental é enterrar os mortos e cuidar dos vivos."
A comunidade internacional providencia meios, e cães
feios treinados para encontrar cadáveres. Multiplicam-se
as declarações de solidariedade pelo mundo. Abrem-se
contas nos bancos de areia. Chegam
à alfândega contentores de ajuda humanitária
provenientes das nações dadoras de castelos e água potável.
A vida continua…
contam-se votos para a melhor foto do terramoto.
Vaticina-se num balanço provisório o número de mortos da terrível tragédia.
Que sorte o dístico salvar-se no tubo de ventilação
do ar condicionado do autopulman acidentado.
O corpo do nome infectado por excesso de pó real
contraía o ar afecto aos pulmões,
aquecia memórias anónimas auto-reguladas e
sobrepostas ao epicentro do sismo actual,
esperava o resgate das equipas de salvamento
especialmente recrutadas para o efeito.
III
Soterrada a inscrição do amor
melhor seja gritar o nome dentro do nome
a derradeira raiz soletra a despedida ao mundo
pequena réplica de última pétada chama-te
ao recolher-se no lodo das ruínas
do escaparate vandalizado.
Antes do apagamento debaixo dos escombros
acena o prolongamento de pesares circunstanciais
no gaguejar trémulo de magnética finitude
de um tartamudeado nome que assuste:
Ma… Ma… Maria Madalena.
A Maria que arrebenta na boca dos mares
A Madalena - memória magna de Proust.
Louvado sejas - nome possível -
levas no colo o mundo sem chão,
pelo menos em ti
não há arrependimentos
nem má loucura.
Ma… Ma… Maria Madalena.
Um nome no muro
como fugir se regressa intemporal?
Esconjuro tatuado no fogo
conspira contra o afastamento do drama
Sensorial.
A terra treme - o homem teme,
a falha lendária rediviva
lento manto de arruinadas marcas –
fendas mal remendadas,
lamento de vegetação rasteira
costurado por material inflamável.
Soterrado o muro
escava minúsculos veludos
com luvas de mercúrio
ao encontro de vestígios
de um nome puro.
II
"O fundamental é enterrar os mortos e cuidar dos vivos."
A comunidade internacional providencia meios, e cães
feios treinados para encontrar cadáveres. Multiplicam-se
as declarações de solidariedade pelo mundo. Abrem-se
contas nos bancos de areia. Chegam
à alfândega contentores de ajuda humanitária
provenientes das nações dadoras de castelos e água potável.
A vida continua…
contam-se votos para a melhor foto do terramoto.
Vaticina-se num balanço provisório o número de mortos da terrível tragédia.
Que sorte o dístico salvar-se no tubo de ventilação
do ar condicionado do autopulman acidentado.
O corpo do nome infectado por excesso de pó real
contraía o ar afecto aos pulmões,
aquecia memórias anónimas auto-reguladas e
sobrepostas ao epicentro do sismo actual,
esperava o resgate das equipas de salvamento
especialmente recrutadas para o efeito.
III
Soterrada a inscrição do amor
melhor seja gritar o nome dentro do nome
a derradeira raiz soletra a despedida ao mundo
pequena réplica de última pétada chama-te
ao recolher-se no lodo das ruínas
do escaparate vandalizado.
Antes do apagamento debaixo dos escombros
acena o prolongamento de pesares circunstanciais
no gaguejar trémulo de magnética finitude
de um tartamudeado nome que assuste:
Ma… Ma… Maria Madalena.
A Maria que arrebenta na boca dos mares
A Madalena - memória magna de Proust.
Louvado sejas - nome possível -
levas no colo o mundo sem chão,
pelo menos em ti
não há arrependimentos
nem má loucura.
Ma… Ma… Maria Madalena.
Canto (do lugar especial)
Tenho um canto que me acolhe,
lá na praia do Molhe.
Atrás de um milhão de anos
de uma rocha gladiadora,
uma cova encantada enrola-me,
o mar alisa-me o passado,
o sol aquece-me os pés
e a Terra lambe-me as feridas.
O canto, canta baixinho.
lá na praia do Molhe.
Atrás de um milhão de anos
de uma rocha gladiadora,
uma cova encantada enrola-me,
o mar alisa-me o passado,
o sol aquece-me os pés
e a Terra lambe-me as feridas.
O canto, canta baixinho.
De um jeito caramel
Mãos de medusa em círculos de dedos
casulos de seda nos caraculos cinza
do meu peito;
filigrana fina de fios de chuva
na noite acesa das costuras
rendilhado de luas!
Translúcida de afectos flutuas
de seios plenos
oscilando em quedas de vertigem
trocando fluídos, tontos vapores
firmes desejos, puros deleites!
Brisa...
aragem leve no ondulado das cortinas
o rosto claro, esmeralda nas pupilas
dança de searas, húmido aroma de fenos!
Sou...se...sou...irreal...sela de prazeres
conduzido...ao décimo, centésimo, milésimo
do último segundo...
espaço luz!...os sinos!...a melodia!...
os violinos!...o Ah!final...
quando se cerram lábios
se abrem diques
se invadem margens!
Bom!...bom!...bombom!...teu!...minha!...
Abraça-me de um jeito caramel
espalha nos meus a compota doce dos teus
batons de morango...olhos de faróis
no brilho máximo...em cima...descaindo
o triãngulo rectângulo dos narizes...
felizes...suaves deslizes...quando
os gestos se tornam amenos
se escutam os hinos!
Diminuto, na grinalda de perfumes
dos teus braços, quando
se desmancha o lenço linho das cores
soltas os cabelos...as borboletas...
às dezenas!
No contorno exacto do teu corpo, no encosto
dos meus nas costas dos teus joelhos
desfolhando versos na despedida dos sussurros
sendo eles mais...mais...mais...
e depois menos...menos...menos...
quando
de mãos trocadas nos mesmos dedos
cede a noite exausta dos desejos
à lonjura dos segredos,
emergindo sonhos
e a cúpula de silêncio
dos amantes... sem nome!
Não resisti a deixar-me envolver na atmosfera
insinuante do amor, do erotismo dos corpos, e
invadir os horizontes que Shakespeare nos
deixou há 400 anos.
Também não resisti a abusar um poucochinho de
umas reticências, espero que me perdoem os colegas,
mas o que é que querem era um poema de suspiros e
mais suspiros e se calhar agora o que sabia mesmo
bem era um suspiro dos outros, dos doces, que a hora
já vai adiantada!
Até amanhã!
casulos de seda nos caraculos cinza
do meu peito;
filigrana fina de fios de chuva
na noite acesa das costuras
rendilhado de luas!
Translúcida de afectos flutuas
de seios plenos
oscilando em quedas de vertigem
trocando fluídos, tontos vapores
firmes desejos, puros deleites!
Brisa...
aragem leve no ondulado das cortinas
o rosto claro, esmeralda nas pupilas
dança de searas, húmido aroma de fenos!
Sou...se...sou...irreal...sela de prazeres
conduzido...ao décimo, centésimo, milésimo
do último segundo...
espaço luz!...os sinos!...a melodia!...
os violinos!...o Ah!final...
quando se cerram lábios
se abrem diques
se invadem margens!
Bom!...bom!...bombom!...teu!...minha!...
Abraça-me de um jeito caramel
espalha nos meus a compota doce dos teus
batons de morango...olhos de faróis
no brilho máximo...em cima...descaindo
o triãngulo rectângulo dos narizes...
felizes...suaves deslizes...quando
os gestos se tornam amenos
se escutam os hinos!
Diminuto, na grinalda de perfumes
dos teus braços, quando
se desmancha o lenço linho das cores
soltas os cabelos...as borboletas...
às dezenas!
No contorno exacto do teu corpo, no encosto
dos meus nas costas dos teus joelhos
desfolhando versos na despedida dos sussurros
sendo eles mais...mais...mais...
e depois menos...menos...menos...
quando
de mãos trocadas nos mesmos dedos
cede a noite exausta dos desejos
à lonjura dos segredos,
emergindo sonhos
e a cúpula de silêncio
dos amantes... sem nome!
Não resisti a deixar-me envolver na atmosfera
insinuante do amor, do erotismo dos corpos, e
invadir os horizontes que Shakespeare nos
deixou há 400 anos.
Também não resisti a abusar um poucochinho de
umas reticências, espero que me perdoem os colegas,
mas o que é que querem era um poema de suspiros e
mais suspiros e se calhar agora o que sabia mesmo
bem era um suspiro dos outros, dos doces, que a hora
já vai adiantada!
Até amanhã!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
poema a duas vozes
à Joana, um pedido de desculpa por usar a mesma estrutura visual que usaste no teu poema. mas como o meu é uma espécie de diálogo, não encontrei outra forma de separar as duas vozes.
quanto ao poema, ainda não é escultura, mas cá fica.
outra coisa, eu juro que tentei meter a nossa epígrafe no canto direito. mas ela recusa-se! então, se alguém souber como o fazer que esteja a vontade para entrar nesta mensagem e metê-la no seu devido lugar.
poema a duas vozes
quanto ao poema, ainda não é escultura, mas cá fica.
outra coisa, eu juro que tentei meter a nossa epígrafe no canto direito. mas ela recusa-se! então, se alguém souber como o fazer que esteja a vontade para entrar nesta mensagem e metê-la no seu devido lugar.
poema a duas vozes
O que há num nome?
W. Shakespeare
Amei-te no momento em que te concebo.
Olhei o mistério da vida
com mãos trémulas sobre o ventre
e um sorriso nosso, sem medo.
__________________Não concebo a vida sem ti.
__________________O que seria do sol sem o teu riso de terra?
__________________E da casa sem a tua alegre ternura?
__________________E da noite sem a tua mão segura?
Intimamente, sempre soube o teu nome.
Só não era feito de sons ou de letras
mas de leves movimentos na barriga
e de músicas que te cantava em surdina.
__________________Mãe, nome de todas as mães desde sempre
__________________mas que só teu é verdadeiramente.
__________________Só em ti a doce palavra
__________________é olhos de mel, figos no cabelo,
__________________tardes de trigo, noites em novelo.
__________________Só em ti é inteira.
Não sabia amar antes de te saber.
Por ti saltei muros, invadi rios,
rompi montanhas, sangrei abismos.
Por ti sou capaz de Viver.
__________________És o primeiro amor da vida
__________________passagem do escuro
__________________para a própria vida
__________________amor que se multiplica em vida.
Espero de olhos em ti, menina
que um dia embales o que agora tens nos lábios
que te desdobres e multipliques em mão e filha
que de ti se deslumbre o infinito.
__________________E assim não morra o amor em mim
__________________mas continue a existir em nós e no futuro
__________________que estes nomes sejam fruto maduro
__________________da árvore do nosso jardim.
Efémera eternidade
«What's in a name?»
(William Shakespeare, in Romeo and Juliet)
Um Nome ou Apelido – faz diferença?
Ou são uma única e a mesma coisa? –
Camadas sobrepostas como a loisa
Onde se escreve ou se apaga a vida tensa.
A angústia cresce sobre a alegria
E a razão sobrepõe-se ao sentimento
Da emoção e do drama que é a vida
No percurso do sol e da lua e do tormento.
Ser António ou Fernando é ser Pessoa –
Nome que por si só traz fios e traz vozes
Que são um chamamento aceso que entoa
O grito, o choro, a inquietação. Algozes!
Um nome é um denso lugar de intimidade
Um privilégio parental e os seus desejos
Cerceando ao nomeado os seus ensejos
De busca de outro nome, de outra identidade.
E assim se pena uma efémera eternidade
Sofrendo a todo o custo a dor de exorcizar
O nome que não traz tão-só uma identidade
Mas traços de estilhaços só no nomear.
Um nome traz consigo todo um drama – a trama
De viver por dentro intensamente na relação
Com outros que são gente que assoma à razão
E sorrateiramente se instala e se inflama
Trazendo nas chamas modos outros de ser,
Embora o mesmo nome, a alma se enriquece:
Vive com outros olhos – mestres em padecer –
Para se olhar no fundo das almas que o entretece.
Um nome é também uma enérgica opção
– Caminho aceite de afecto e de razão –
No seu acolhimento contém a liberdade
Com que recebe a imposta identidade.
Um nome é uma trança de vontades – em silêncio diz
Tudo o que se não sabe e que o seu ser prediz.
(2008.12.01)
meu douro, meu tesouro

fotógrafo:Marc Dozier
Aqui onde as estrelas passeiam
Pelo meu corpo, humildes
Entregam-se uma a uma
Serenas de uma beleza única
Elevam-me em pensamentos
Que me fazem viajar até ti.
Deparo-me com um sorriso
Quando me lembro que estou
No seio do património mundial
Onde as montanhas bebem
O néctar das águas barrentas
De ti, do meu imenso DOURO.
um local de eleição, resposta ao desafio do Nuno Ca
obrigada, filinta
Pelo meu corpo, humildes
Entregam-se uma a uma
Serenas de uma beleza única
Elevam-me em pensamentos
Que me fazem viajar até ti.
Deparo-me com um sorriso
Quando me lembro que estou
No seio do património mundial
Onde as montanhas bebem
O néctar das águas barrentas
De ti, do meu imenso DOURO.
um local de eleição, resposta ao desafio do Nuno Ca
obrigada, filinta
um outro olhar...(8)
foto: José Figueira“na ilha terceira…”
uma montanha feita de verde, tão diferente, tão distante
junto do céu e do infinito
tão longe de tudo… tão perto do essencial
chegados lá, cansados, sentimos que valeu a pena
na ilha terceira, nessa montanha feita de verde, perdida no meio do oceano
sempre com o mar, azul, a abraçar a floresta, verde
sentimos que estamos no centro do mundo
e por momentos estamos sós, com a origem da vida
o mar selvagem de um lado
a floresta virgem do outro
e nós lá no meio
tão longe de tudo… tão perto do essencial
domingo, 30 de novembro de 2008
O que há num nome?
“what’s in a name?”
(William Shakespeare, in Romeo and Juliet)
(William Shakespeare, in Romeo and Juliet)
Sou melodia de cítara
Sou musa dançando nas ondas
Sou flor em ramo de princesa
Sou sorriso em rosto de criança
Sou raio de sol doirado
Sou pedaço de luar
Sou folha branca de papel
Sou nenúfar numa tela
Sou tudo isto e muito mais
No entanto
Apenas respondo quando chamas o meu nome.
Espera, cheira-os.
----------------------------------------"what's in a name?"
-----------------(William Shakespeare, Romeo and Juliet)
Existe a lágrima
o sal, a janela, o vento.
Existe o pássaro de olhos negros
e as minhas folhas caídas.
----------------------------------------Existem para além de ti.
----------------------------------------Existem sem os chamares.
----------------------------------------Mas se mesmo assim os queres
----------------------------------------esbugalhados na tua mente
----------------------------------------não os olhes de frente.
----------------------------------------Espera, tira-lhes as medidas.
Existem as Marias das padarias
e as de linhagem real
Existem segredos guardados
nas folhas antigas de um jornal.
--------------------------------------Cada um vive escondido
--------------------------------------dentro de um cristal suspenso
--------------------------------------de infinitos planos polidos
--------------------------------------que reflectem o branco imenso
--------------------------------------em civilizados sentidos.
Existe o riso
o mel, a porta, o calor.
Existe o pássaro de cores vivas
e as verdes folhas nascidas.
----------------------------------------Invoca-os com a alma e espera.
----------------------------------------Eles surgem de repente,
----------------------------------------na forma e género humano,
----------------------------------------às vezes gastos e vãos
----------------------------------------vindos de um percurso insano,
----------------------------------------nunca sós, nunca sãos,
----------------------------------------mas vivos, vivos certamente.
Existe a cor
do pássaro de olhos negros.
Existe o vento e as lágrimas
das famílias de reais segredos.
----------------------------------------Deixa-os chegar devagar
----------------------------------------observa-lhes as cores da cauda
----------------------------------------como a um rasto de um cometa,
----------------------------------------sente-lhes a insinuação.
----------------------------------------Destrinça-lhes o passado
----------------------------------------os voos rasantes aos sentidos
----------------------------------------as colisões e os seus gemidos.
-----------------Sente as fusões que levam nos genes
-----------------de tantos outros suspensos cristais
-----------------Espera, saboreia, cheira-os.
-----------------Não há dois nomes iguais.
Tigre de Ouro
Tigre de Ouro
"O único mistério é haver alguém que pense no mistério"
Fernando Pessoa
Lorde protector: Escrevo-te para dizer que os teus castigos não chegam aos calcanhares dos humanos.
Desculpa a sinceridade mas tenho todos os homens dentro de mim, todos eles dizem que:
Os teus prazeres são tão pequenos, as tuas frutas e flores não produzem drogas suficientemente fortes - precisam de ser modificadas pelo homem para provocar alucinações verdadeiras
E as plantas e as plantas...
O azul do céu mete-me nojo, – Tal como Papini toda a natureza me mete nojo
Esvaziem o Atlântico de mar e encham-no de lobos - Que todo o mar uive -
Que todo o mar chore - As plantas - usem-nas para enforcar os poetas e que Ovídeo
De todas as figuras de estilo a hipérbole é a que menos me enoja …
Tal como Zaratrusta tenho medo de me partir ao meio,
E Não viverei tempo suficiente para ver a musa de Clio a fritar as pernas aos historiadores pouco metódicos, antes disso arrebento de tanto acreditar no Homem
Tal como Galctus a minha fome não se sacia nem com uma galáxia inteira, principalmente depois de saber que dois corpos nunca se tocam…
E para quê O mito do eterno retorno
Se amanhã voltará a haver rojões à portuguesa?
não descansarei enquanto não for inventada uma cadeira eléctrica que aproveite o uso das marés para produzir um choque tão forte e intenso que nunca mate - mas que frite lentamente - durante mil anos - Os corações dos poetas atirem-nos aos porcos
e com os seus versos embrulhem as bolas de berlim
----------------------------------------------------------------------
Amo a inutilidade - A desintegração --- tudo que é inútil me excita violentamente
Estou triste tristíssima - por não ser a Suécia inteira
e choro lágrimas de sal que chovem sobre Copenhaga - Tapo o Sol com as minhas mãos de nuvem e trago a tristeza ao mundo...
Amo-te por seres incompleto LORDE - Por ter de ser o homem a criar-te!
Ele - Quem - Onde? - Foda-se amo-te mesmo! Tal como Sarah Kane -
amo-te mesmo - amo-te mesmo - amo-te mesmo Foda-se...
Violeta de Gand, 2008
"O único mistério é haver alguém que pense no mistério"
Fernando Pessoa
Lorde protector: Escrevo-te para dizer que os teus castigos não chegam aos calcanhares dos humanos.
Desculpa a sinceridade mas tenho todos os homens dentro de mim, todos eles dizem que:
Os teus prazeres são tão pequenos, as tuas frutas e flores não produzem drogas suficientemente fortes - precisam de ser modificadas pelo homem para provocar alucinações verdadeiras
E as plantas e as plantas...
O azul do céu mete-me nojo, – Tal como Papini toda a natureza me mete nojo
Esvaziem o Atlântico de mar e encham-no de lobos - Que todo o mar uive -
Que todo o mar chore - As plantas - usem-nas para enforcar os poetas e que Ovídeo
De todas as figuras de estilo a hipérbole é a que menos me enoja …
Tal como Zaratrusta tenho medo de me partir ao meio,
E Não viverei tempo suficiente para ver a musa de Clio a fritar as pernas aos historiadores pouco metódicos, antes disso arrebento de tanto acreditar no Homem
Tal como Galctus a minha fome não se sacia nem com uma galáxia inteira, principalmente depois de saber que dois corpos nunca se tocam…
E para quê O mito do eterno retorno
Se amanhã voltará a haver rojões à portuguesa?
não descansarei enquanto não for inventada uma cadeira eléctrica que aproveite o uso das marés para produzir um choque tão forte e intenso que nunca mate - mas que frite lentamente - durante mil anos - Os corações dos poetas atirem-nos aos porcos
e com os seus versos embrulhem as bolas de berlim
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Amo a inutilidade - A desintegração --- tudo que é inútil me excita violentamente
Estou triste tristíssima - por não ser a Suécia inteira
e choro lágrimas de sal que chovem sobre Copenhaga - Tapo o Sol com as minhas mãos de nuvem e trago a tristeza ao mundo...
Amo-te por seres incompleto LORDE - Por ter de ser o homem a criar-te!
Ele - Quem - Onde? - Foda-se amo-te mesmo! Tal como Sarah Kane -
amo-te mesmo - amo-te mesmo - amo-te mesmo Foda-se...
Violeta de Gand, 2008
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