Empurro
o silencio________________________até ao limite da folha.
Sem
som nem silaba,
apenas
a sombra do silencio
aguarda
as palavras que virão
discriminação____corrupção____poluição____
A
cada palavra a folha grita por um minuto de silencio.
Ouso
uma virgula – um pequeno silencio no texto,
e
teorizo: a humanidade nasceu cega e surda,
num
parto de excessiva luz e ruído.
Big
Bang … depois o silencio
Deus
silenciou ao sétimo dia
Só
assim se compreende Auschwitz____Srebrenica____Alepo____
e
todas as geografias distantes do coração e da razão.
Um
minuto de silencio não basta
e
ficar calado é mais perigoso
que
arriscar uma voz.
A
ciência tenta apurar se o silencio tem sexo, idade ou cor.
As
conclusões são imprecisas, mas aceita-se como empiricamente correto
que
á noite o silencio é mais negro,
mais
pesado,
mais
difícil de afastar da folha em branco.
Escrevo:
“Dó” sustenido em tom pianíssimo,
para
não acordar o silencio das crianças que dormem com fome
e
das que não dormem, com medo de quem as silencia.
Escrevo:
fascismo____islamismo____individualismo____
Há
gritos em fila á espera de se fazerem ouvir
Há
gritos atormentando o planeta, no sentido dos ponteiros do relógio
e
já nem fronteiras acatam.
Não
há fronteiras – só divisões desorientadas
Um
minuto de silencio é cada vez mais longo
mais
cansativo
mais
inútil.
A
utopia está em silencio
e
o poema também.
Teresa
Almeida Pinto










