Fotografia Rodney Smith
lady Orlando, quando uma porta se abre, abre-se um centro.
o contexto perde nitidez na descoberta de um interesse, um segredo, um
desígnio.
é humano, e o que é humano interessa.
os pássaros voam e não compreendem, e o mesmo acontece
a todos os animais teleologicamente impávidos pela sua
natureza.
o humano agita-se nesse vento e sublima –
será o poema que te faz atravessar fronteiras:
esse rebuliço de palavras escritas no seio
aprisionado de manchas antigas e linhas cruzadas
nascido no campo e dirigido pelas urbanidades
entre a revolta Otomana e o exagero ritual das embaixadas?
lady Orlando, a semana passada, precisamente à uma da tarde,
não havia árvores.
nem o pinhal alteado em direção à margem.
nem mesmo ervas sem geometria, rebeldes e propícias a um
equilíbrio de gotas de água.
corrias de forma precisa pela ruas aglomeradas de Londres,
em direção ao cabo Horn
impulsiva e fremente, levando na memória palavras, as
palavras exatas
que vencem distâncias e voam, voam sem asas –
procuravas, procuravas
uma outra porta, um balcão e a velocidade de um funcionário
na transformação técnica das palavras: a telegrafia da cidade.
a técnica é humana, e por ser humana interessa.
corrias, corrias
em tensão crescente, desproporcionada
entre o desejo e a negação da realidade –
lady Orlando, ninguém te descobre, alcança, domina
quando és farpa e singras
através de portas sólidas ou invisíveis
através de portas sólidas ou invisíveis
nessa decisão fática. uma inevitável natureza assim o determina
–
quando atravessas essa porta, lady Orlando, sentes o fogo
delirante.
a metamorfose aproxima-se, como se de novo Sasha e o navio
a necessidade indizível de mudança: os calções pelo vestido –
tantos eus, poéticos e indescritos, lady Orlando –
a porta, um centro, vozes, miríades de luzes
um uivo, submissão e a extensão de um domínio –













