quinta-feira, 29 de setembro de 2016
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Tripas coração tantas memórias
Tripas coração tantas memórias
O mar longínquo dança-lhe no olhar
É longe o porto para o alcançar
E oculta grande parte do caminho.
O Infante sabe-o mais que ninguém,
E o que é preciso também e solta a
sua súplica – E a carne para levar?
São muitas as bocas a comer, e os
Nautas hão-de ser heróis por dar a
Saber ao Mundo novos mundos
Estendendo ao longe o nosso Império.
Quem não faz das tripas coração
Para um tão nobre intento invicto?
– O Porto empunhou o estandarte:
Repartiu e escolheu a menor parte.
Assim pelo coração se fez tripeiro –
2011.03.15
José Almeida da
Silva
terça-feira, 26 de abril de 2016
imagem de Robert Ullmann
mas os meus cabelos escurecem
a pele fica mais lisa
as ideias curiosas como criancinhas
saltitantes de olhos esbugalhados
porque tudo isto é um milagre.
E a cama rangendo
sempre que me viro –
gosto de deitar-me de um lado
depois do outro repetidas vezes
na noite longa
– um lado e depois o outro.
Às vezes durmo de barriga para baixo
como quando era pequena.
Envelhecer é sonhar com
ser criança.
A cama queria ser berço.
Eu queria caber no colo quente da minha mãe.
Marta Pais de Oliveira
publicado AQUI
quarta-feira, 13 de abril de 2016
eu do avesso
o avesso do meu avesso não sou eu é o avesso
do avesso de eu.
na matemática é diferente
a negação da negação é uma operação simples
e peculiar e única que não acrescenta
nem retira atributos.
mas com o avesso do meu avesso nada se passa
assim. o meu avesso invade-me serve-se
dos fantasmas que me habitam e usa a sua magia
para me ampliar o desassossego. e o seu avesso
que é o avesso do avesso de eu
transmuda com a mesma agudeza
o efeito do anterior. por isso cada vez mais
eu me confundo
irremediavelmente
com o meu desassossego.
M. Céu Silva (SLV)
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Livro para Luaty Beirão
A liberdade começa nos teus braços
Quando olhas o mundo de asas abertas
E vais à descoberta das estórias
Escondidas num livro de gestos proibidos.
Sacodes os ruidos que te abafam
E escutas os sons das silabas em movimento
Há palavras estendidas no chão vermelho
Da terra quente
E tu lês,
até ferirem teus olhos,
A distância que vai de ti ao sopro longinquo de um rubro cravo
De abril do outro lado
Do mar português _
E no rosto vendado
Da verdade
Escreves
quanto dói
A liberdade
E vais à descoberta das estórias
Escondidas num livro de gestos proibidos.
Sacodes os ruidos que te abafam
E escutas os sons das silabas em movimento
Há palavras estendidas no chão vermelho
Da terra quente
E tu lês,
até ferirem teus olhos,
A distância que vai de ti ao sopro longinquo de um rubro cravo
De abril do outro lado
Do mar português _
E no rosto vendado
Da verdade
Escreves
quanto dói
A liberdade
ana margarida borges
terça-feira, 5 de abril de 2016
Leite-Creme
Mostrar-te Leite-creme
é um prazer - e fácil:
açúcar à colher,
leite a ferver,
em poalha a farinha
e muito grácil.
Na cozinha,
os teus olhos:
duas chávenas meias
de razão.
As palavras totais
e todas claras.
Não te posso, infinita,
proteger,
evitar-te o fogão.
Mentir-te sobre, às vezes,
minha filha,
a vida:
um batedor sem varas
Só deixar-te
poalha de farinha:
amor
em Via-Láctea.
Ana Luísa Amaral in Epopeias
domingo, 3 de abril de 2016
Adoro ler-te
Imagem: Fiona Banner
Adoro ler-te,
nas entrelinhas das tuas frases.
Adoro ler-te,
nas entrelinhas dos teus gestos.
Adoro ler-te,
nas entrelinhas dos teus toques.
Adoro ler-te.
Teresa Freitas, in therasia
sexta-feira, 25 de março de 2016
Tenho
as mãos cheias de dunas
e
saudades
As
mãos cheias de possibilidades
e
um mar para navegar.
As
dunas entre mim
e
as possibilidades.
Tenho
uma inquietação idunável
e
um mas … [sempre um mas]
a
impedir que
o
mar se faça
futuro
Teresa
Almeida Pinto
Foto
de Filipe Carneiro, selecionada pelo
FineArt-Portugal
quinta-feira, 24 de março de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
pedaços
Imagem de Derya Qasem
hoje
colo os pedaços das memórias
enlaçados
ficam poemas de Pessoa e Sena
em meadas de aço
e aguarelas de Cruz suspensas
em azul de espanto
e as cantatas de Bach e as árias de Puccini
e tantas e tantos outros
e ficam os códices que toquei
com luvas brancas
irrepreensivelmente limpas
que me transportaram a passados
remotos
ao todo faltam porções de vida
diluída no tempo
e sobram fragmentos de arestas ácidas
que recupero dos momentos
sombrios
impossível desconjuntar esta amálgama
imperfeita
de ferro e algodão
M. Céu Silva (SLV)
quinta-feira, 17 de março de 2016
Ana Luísa Amaral na Ronda da Noite
Ana Luísa Amaral traduziu 31 Sonetos de Shakespeare, nos 400 anos da morte do autor inglês à conversa com Luís Caetano, na Ronda da Noite.
A Ronda da Noite
(clicar no link para aceder ao video)
A Ronda da Noite
(clicar no link para aceder ao video)
sexta-feira, 11 de março de 2016
NECESSIDADES
gavetas abertas, um garfo entre as colheres
despentear o mundo com toda a certeza
também beijar os olhos logo ao nascer
falo de todos aqueles que for possível, sim
esquecer o que esperar se tudo são
lírios e delírios
e o que há mais
é necessária a fúria de uma onda enorme
olha como transforma quem a vê da praia
ou do farol ou do carro
podem ser crianças besuntadas de gelado
podemos ser nós a secar lembranças na pele, somos
e apesar do medo do abismo
queremos vê-lo para contar a todos como é
mas a nós não
são necessárias palmeiras altas para subirmos
a essa ideia que se escondeu no fim de tudo
num sonho dentro de um sonho e outro
onde pedimos licença mas somos selvagens
animais cheios de dúvidas, tantas
– não arrumes o garfo
– não?
– sim
Marta Pais de Oliveira
domingo, 6 de março de 2016
Foi assim.
Foi assim.
No silêncio da história. Não poderia ser de outro modo.
Guardámos a lua.
Em caixa de papel mistério. E laço de coração.
Ficou-nos a memória.
Foi assim
Teresa Freitas
Soneto de Lentilhas
Picar uma cebola com cuidado
Colocar com azeite num tachinho
Levar a refogar um bom bocado
Até ficar com toque coradinho.
Depois de preparado o refogado
Retirar as lentilhas do frasquinho
Juntar-lhe a salsa e o pão ralado
E três ovos batidos, mas pouquinho.
Nozes picadas leite ao natural
Em 3 -1 -2- 1 -1- medida certa
Vão completar a parte principal
E antes de ir à fornalha bem esperta
Uma pitada de pimenta e sal.
Eis aqui a fórmula descoberta!
M. Céu Silva (SLV)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
A não perder:
DIA 26, SEXTA-FEIRA
22h00 - Mesa 9
O escritor mente, o leitor acredita
Álvaro Laborinho Lúcio
Ana Luísa Amaral
Jaime Rocha
Javier Cercas
Mário de Carvalho
Carlos Quiroga-Moderador
×Cine-Teatro Garrett (sala principal)
DIA 27, SÁBADO
10h00 - Mesa 10
Quantos livros tem um livro
Carmo Neto
Cristina Valadas
João Paulo Sousa
Raquel Patriarca
Vergílio Alberto Vieira
João Gobern - Moderador
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