
imagem daqui
a velocidade aflita pode ser o fundamento
para o teu
zig-zag permanente :
os teus olhos de horizonte
os teus passos de gazela
os teus cabelos fulminantes –
a não procura de um rumo é a negação do absoluto.
a certeza do transitório e do fugidio.
uma flânerie como diria Baudelaire.
por vezes, o instinto na distância da razão
por vezes, a velocidade da lebre e o sono das árvores
por vezes, o casulo
de seda sem a iminência do vulcão –
alguém disse: é da experiência singular que nasce a obra de arte.
emoção e acto que interage, a procura de um outro espaço
a libertação do tempo: a nudez do sentimento -
senta-te no banco de um jardim.
recebe a luz e a sombra de uma forma natural.
elimina a rotina dos teus olhos de cidade:
o excesso de imagem, o mar de signos
o esforço mínimo de abstracção, a transcendência impossível
o ruído, o ruído, o ruído -
pára, desce as pálpebras, sublima -
josé ferreira 19 março 2014
