doi
quando só encontro a concha
o aglomerado de ossos
a trama de músculos
o lençol de pele
a forma física
e objectiva
e tocável
e visível
de seres tu
doi
quando só encontro o vazio
frio e húmido
de casa desventrada
onde esfolo os nós e a alma
de tanto bater
onde enrouqueço a voz
e a perco de tanto chamar
doi
uma dor fina e funda
de consciência quase desmaia
doi
e não mais deixa
sábado, 22 de janeiro de 2011
Fim de tarde
fim de tarde
e de passeio
o dia já vai longo
rocha urbana
procura o céu de cimento
em sobrepostas camadas
paredes nuas, duras
de emoções e formas cruas
transforma-se
em laivos de brilho quente
reflexos de ouro
poiso do olhar de longínquo astro
vejo, não reconheço
o invertido espelho
brinca
em jogos de luz e sombra
formas redondas e esguias
buracos negros
para além da matéria
abrem-se portas
de silêncio
um novo mundo
salto no desconhecido
Clara Oliveira
e de passeio
o dia já vai longo
rocha urbana
procura o céu de cimento
em sobrepostas camadas
paredes nuas, duras
de emoções e formas cruas
transforma-se
em laivos de brilho quente
reflexos de ouro
poiso do olhar de longínquo astro
vejo, não reconheço
o invertido espelho
brinca
em jogos de luz e sombra
formas redondas e esguias
buracos negros
para além da matéria
abrem-se portas
de silêncio
um novo mundo
salto no desconhecido
Clara Oliveira
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Emily

Hughie Lee Smith 1970
Não pintarei - um quadro -
Queria antes ser Aquele
Habitando-lhe - em delícia -
No impossível brilho
Pensando o que os dedos sentem
Seu toque - divino - raro -
Evoca doce Tormento -
Sumptuoso - Desespero -
Não falarei, como Trombeta -
Antes queria ser Aquela
Docemente erguida aos Tectos -
E, leve, para além deles -
Por Aldeias feitas de Éter -
Um Balão dotado só
De uma ponta de Metal -
O cais para o meu Pontão -
Nem queria ser Poeta -
Melhor é - ter o Ouvido -
Amante - frouxo - contente -
Licença de venerar,
Terrível privilégio
Que legado seria,
Tivesse eu a Arte de me atordoar
Com Raios de Melodia!
Emily Dickinson "Cem poemas" Relógio D'Água Trad. Ana Luísa Amaral 2010
a força do seu gesto

Imagem retirada da internet
o espaço de uma sala, lugar físico de um encontro
enquanto ao lado o burburinho que espantava os pássaros
habitantes sedentários de fim de tarde na camélia florida
de cor vermelha, abrindo os ramos de sentidos nas folhagens
braços um pouco longínquos, de um tronco não muito largo, inclinado
lembrando aromas, intensos, num corpo sem espinhos.
a sala como pretexto onde a dúvida incidia
qual raio beijando as curvas da cortina e caindo na pele de uma Bíblia
antiga, e um livro de Céline.
- Nunca li Céline - ele disse, quebrando o silêncio explícito de ruídos íntimos
- Céline é diferente- ela disse, no suporte seguro de um ponto invisível
um argumento de janela fechada, sobre o assunto, sobre as folhas do livro
não era esse o motivo de dois corpos afastados na sala junto ao burburinho
do mesmo modo que o baloiço, no quadro a óleo, suspenso no movimento
no centro pérola da parede, acetinada; tonalidade escolhida numa loja da cidade.
não. estava cansada, sentia a pressão da mudança. não, não seria Céline.
ele sentou-se no banco preto do piano. deslizou os dedos de modo inconsciente
sobre algum pó no verniz, negro e brilhante, um tampo como uma cama
de cordas adormecidas, invibrantes, mudas, de um som impossível.
- Sabes - e os olhos não se cruzaram, os dela na nuca dele, os dele no gesto
no acto deslizante, nos dedos viajantes na superfície lisa de uma cor escura
apercebendo o fogo, a intensidade de uma fogueira, crepitando na distância
um eco dentro da cabeça, juntando palavras, fazendo frases, uma outra sala
um outro quadro, os mesmos actores num palco de cortinas fechadas
tentando adivinhar o SE e SE, qual a reacção, como seria
mas, um atropelo, um engarrafamento de silêncio. nada.
ela, no tecido Laura Ashley, rosado, um sofá luminoso no meio da sala
cruzando e descruzando, ajeitando a imperceptível ruga de um vestido
trocando os pés, rodeando a orla de um tapete, à vez, um jogo
no intervalo de uma fala com falta de consistência, quando a expectativa
a expectativa alta como os montes de Himalaia, as águas de Niagara
uma melodia viva de Mozart e menos Schoenberg, fragmentos entrecortados.
- Sabes - de uma jarra de cristal, Atlantis, oferecida pela tia, caiu uma pétala
adormecida, uma seda clara de magnólia sobre a mesa onde a Bíblia, Céline
um sinal de Natureza oscilando no côncavo, ou convexo, conforme a óptica
de ar ou mesa. Uma pétala, interferindo, e a mão que recolheu a densidade
inusual nas outras flores, mas ao mesmo tempo, sem o parecer, frágil, indefesa
sem a condição de concha sobre estames, os sinais de próspero e possível.
os dedos acariciaram a concha ávida num desejo de feijoeiro mágico
um, dois, três, crescendo, crescendo, como um manto grande, grande.
os dedos dela acariciaram a concha ávida. o olhar numa outra direcção
a janela, um quadriculado sobre a árvore. levantou-se com pressa.
abriu a janela e pousou a pétala no parapeito verde, recentemente pintado
com as duas mãos, como uma mãe, um berço, um recém-nascido.
um ar frio invadiu a sala, o argumento, a intensidade do silêncio.
- Sabes - permanecia afundado num poço de fim indefinido, um lugar sem luz.
ela abriu um sorriso, iniciou um pequeno trajecto, delicado no passo, lentamente
sentou-se no colo dele, não deixou que o abraço se fechasse
um filme antigo,a preto e branco. quando os olhos se cruzaram, tomou-lhe a mão
que deslizava sem ordem, trémula e indecisa e escreveu uma palavra na superfície
visível, no pouco pó, no muito brilho do silêncio e das cordas escondidas do piano.
nas linhas presas de uma testa pálida pousou o sabor vermelho dos lábios
- Eu sei, não é fácil - saiu dizendo - não te esqueças de fechar a janela
e sorria sabendo da força do seu gesto -
José Ferreira 21 Jan 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
quando - sem limites

Henri Cartier Bresson
pelas ruas sem mãos e sem braços
um tempo sem graça, desabençoado
um desgosto de não estender as palavras
as rugas extensas sem o calor dos raios .
os cafés são mendigos inoportunos de cadeiras vazias
de mesas abandonadas, lugares de deserto
sem oásis, sem palmeiras, sem folhagens
pelas ruas, invisibilidades de fantasma
direcções e sentidos tracejados
sem a forma contínua do desafio, navegando
as águas instáveis de um cabo de tormentas
um adamastor insistente de olhos grandes
super, ego, ego, medonho por sobre as ondas
quando? quando voltam as asas? de símbolos
signos, linhas, tintas
o desejado sofrimento, encoberto de medos
arestas, vértices, lados imersos
quando ? quando voltam as mãos os braços?
quando? quando? quando voltas? de olhos arredondados
néctar, poção mágica, mel, luz e favo
cruzando a minha insignificância, o meu desespero
a minha independência de ave absorta, planando
atravessando as nuvens espessas, as rotações indeterminadas;
céu e terra, noite e dia, segundo e hora, a rotina
o quotidiano perverso de emoções mínimas
sem planícies, searas ondulantes de cio
faces inconscientes, estios de rutilo
árias íntimas, mundos indefinidos
sem limites -
quando? quando?
José Ferreira 20 Jan 2011
TERMINAL DE DESILUSÃO
Afundo-me na tristeza,
sem as lágrimas convulsivas de outrora,
mas compulsivamente irrascível;
nada mais vale a pena,
não interessa sequer avaliar
porque se demoliu o amôr,
ou porque se esfumou a paixão(?).
...o fulgor do sol também se esvai,
e o vento ora sopra de rompante,
outras vezes porém tão meigo é,
apaziguador, e tão refrescante!
...............................
...Hoje, o dilúvio assassino
perturba a doce paz da foz
do meu rio de encantos!...
(Quando o(a) companheiro(a) de uma longa e
emotiva viagem foi a paixão, ou simplesmente
uma excelente e amiga criatura que no final
se despede para sempre...como que a morte o(a)
tenha levado).
- António Luíz, 13 a 19/01/2011
sem as lágrimas convulsivas de outrora,
mas compulsivamente irrascível;
nada mais vale a pena,
não interessa sequer avaliar
porque se demoliu o amôr,
ou porque se esfumou a paixão(?).
...o fulgor do sol também se esvai,
e o vento ora sopra de rompante,
outras vezes porém tão meigo é,
apaziguador, e tão refrescante!
...............................
...Hoje, o dilúvio assassino
perturba a doce paz da foz
do meu rio de encantos!...
(Quando o(a) companheiro(a) de uma longa e
emotiva viagem foi a paixão, ou simplesmente
uma excelente e amiga criatura que no final
se despede para sempre...como que a morte o(a)
tenha levado).
- António Luíz, 13 a 19/01/2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
tesouro intangível
estava uma aranha na parede
junto à esquina do postigo,
quem vem a descer as escadas do sobrado.
uma aranha enorme.
acto contínuo tirei o sapato e
esborrachei-a.
o bicho estava grávido
e um enxame de miniaturas de cabecinhas
com patas a mais
desceu a parede até ao soalho -
vagarosamente.
segui-o com o olhar
que se me foi encharcando de lágrimas
com sabor a pó e a culpa.
tu vieste saber de mim.
deste-me colo para eu chorar a vergonha
e perdoaste-me no fim.
junto à esquina do postigo,
quem vem a descer as escadas do sobrado.
uma aranha enorme.
acto contínuo tirei o sapato e
esborrachei-a.
o bicho estava grávido
e um enxame de miniaturas de cabecinhas
com patas a mais
desceu a parede até ao soalho -
vagarosamente.
segui-o com o olhar
que se me foi encharcando de lágrimas
com sabor a pó e a culpa.
tu vieste saber de mim.
deste-me colo para eu chorar a vergonha
e perdoaste-me no fim.
raquel patriarca
vinte.julho.doismiledez
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
são muitos os poemas que começam por Sabes

Edward Weston
são muitos os poemas que começam por Sabes
num diálogo de inexistência, transcendentes de reflexividade
como se ali em frente ou caminhando, lado a lado.
são muitos os poemas que começam por Sabes
como letras desenhadas numa carta, um diálogo imperfeito
pois o corpo, o rosto, a linguagem dos lábios, uma mão suave
um recontar de linhas, uma sede de palmas
abertas, fechadas, sobre os dedos, por vezes apertadas
tão apertadas, como se únicas, ligadas.
são muitos os poemas que começam por Sabes
sem resposta, falando das árvores, sobre as folhas
o verde das folhas, sobre as raízes nos lugares de plâncton
sobre as raízes nos lugares de tudo, nos céus de nada
são muitos, sobre as aves de braços espetados como setas
uma de cada lado, setas de ponta quebrada
altas, sobre um mar oceânico, sem barcos, sem âncoras
livres, tão livres quanto as palavras.
são muitos os poemas que começam por Sabes
querendo adivinhar se usas um lenço azul, uma trança de lado
um Ipod, um moleskine, um diário personalizado
registando esse desviar de ponteiros, o seguir em frente
um tempo sem muito tempo para o importante, o quotidiano
como um marco do correio, recebendo, as minhas
as tuas, as minhas, as tuas cartas.
são muitos os poemas que começam por Sabes
nas ruas, nas salas, nos silêncios do quarto, um ruído abstracto
dentro, um terramoto sem escala, um aperto, último instante
em que coloco a folha, observo-a, a finalidade, a sua dança
a sua música, breve ou larga, um sopro, doce, aliciante
um rio, tocando as margens, perceptíveis como as borboletas
silenciosas, ar e águas, sem barragens.
são muitos os poemas que começam por Sabes
e não sei, não sei se os agarras, nem como os guardas
mas prometo, prometo, escrever sempre, sempre, difíceis, fáceis
na metáfora, de múltiplas formas, rimas, externas, internas
multiplicadas de mil lados, como os dias
as horas, a mudança branca e escura dos modos, noites
de noites, onde planam as ausências e os mistérios
um manto brilhante de estrelas, uma seda acesa
células de uma pele imensa onde circula o sangue
e as marcas dos versos nos lábios dos poemas -
Sabes -
José Ferreira 18 Jan 2010
sábado, 15 de janeiro de 2011
Lugares Comuns
André Kertész 1928
Entrei em Londres
num café manhoso (não é só entre nós
que há cafés manhosos, os ingleses também,
e eles até tiveram mais coisas, agora
é só a Escócia e parte da Irlanda e aquelas
ilhotazitas, mais adiante)
Entrei em Londres
num café manhoso, pior ainda que um nosso bar
de praia (isto é só para quem não sabe
fazer uma pequena ideia do que eles por lá têm), era
mesmo muito manhoso,
não é que fosse mal intencionado, era manhoso
na nossa gíria, muito cheio de tapumes e de cozinha
suja. Muito rasca.
Claro que os meus preconceitos todos
de mulher me vieram ao de cima, porque o café
só tinha homens a comer bacon e ovos e tomate
(se fosse em Portugal era sandes de queijo),
mas pensei: Estou em Londres, estou
sozinha, quero lá saber dos homens, os ingleses
até nem se metem como os nossos,
e por aí fora...
E lá entrei no café manhoso, de árvore
de plástico ao canto.
Foi só depois de entrar que vi uma mulher
sentada a ler uma coisa qualquer. E senti-me
mais forte, não sei porquê, mas senti-me mais forte.
Era uma tribo de vinte e três homens e ela sozinha e
depois eu
Lá pedi o café, que não era nada mau
para café manhoso como aquele e o homem
que me serviu disse: There you are, love.
Apeteceu-me responder: I’m not your bloody love ou
Go to hell ou qualquer coisa assim, mas depois
pensei: Já lhes está tão entranhado
nas culturas e a intenção não era má, e também
vou-me embora daqui a pouco, tenho avião
quero lá saber
E paguei o café, que não era nada mau,
e fiquei um bocado assim a olhar à minha volta
a ver a tribo toda a comer ovos e presunto
e depois vi as horas e pensei que o táxi
estava a chegar e eu tinha que sair.
E quando me ia levantar, a mulher sorriu
Como quem diz: That’s it
e olhou assim à sua volta para o presunto
e os ovos e os homens todos a comer
e eu senti-me mais forte, não sei porquê,
mas senti-me mais forte
e pensei que afinal não interessa Londres ou nós,
que em toda a parte
as mesmas coisas são
Ana Luísa Amaral,"Inversos", Dom Quixote 2010
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
nada sei
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Coisas de luz antigas
Henri Rousseau" Mulher passeando numa floresta exótica" 1905
Aquele namorado que tinha
um nome bom: há quanto tempo foi?
A vida resvalante como gelo
e aquele namorado de nome bom
e férias, ficou perdido em luz,
mais de vinte anos.
Deu-me uma vez a mão
um beijo resvalante à hora de deitar
e na pensão. Mas tinha um nome bom.
falava de cinema e calçava de azul
e um bigode curtinho,
que escorregou aceso como gelo
no centro da pensão.
Rasguei as cartas dele
há quinze anos, em dia de gavetas
e de luz, e nem fotografia me ficou
de desarrumação. Mas tinha um nome bom,
falava de cinema e calçava de azul
e resvalou-me quente como gelo
à hora de deitar:
um namorado sem falar
de amor
(que a timidez maior
e o quarto dos meus pais
nessa pensão
no mesmo corredor)
Ana Luísa Amaral "Inversos" Ed. Dom Quixote 2010
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
A Magnólia
Miguel Bagur 1989
A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária,e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.
Luiza Neto Jorge "O seu a seu tempo" Assírio & Alvim 2001
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Tento empurrar-te de cima do poema
Encontra mais artistas como Clara Ghimel em Música do Myspace
Clara Ghimel "Coisas de Partir" disco "Entremares"
Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.
Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?
E se já não respiras? Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?
Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras.
Ana Luísa Amaral in "Coisas de Partir"
domingo, 9 de janeiro de 2011
Às vezes as coisas dentro de nós
Frida Kahlo "Autoretrato com colar de espinhos e colibri" 1940
(dedicado a Maria de Lourdes Pintasilgo)
O que nos chama para dentro de nós mesmos
é uma vaga de luz, um pavio, uma sombra incerta.
Qualquer coisa que nos muda a escala do olhar
e nos torna piedosos, como quem já tem fé.
Nós que tivemos a vagarosa alegria repartida
pelo movimento, pela forma, pelo nome,
voltamos ao zero irradiante, ao ver
o que foi grande, o que foi pequeno, aliás
o que não tem tamanho, mas está agora
engrandecido dentro do novo olhar.
Fiamma Hasse Pais Brandão "As Fábulas"
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