segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

memória viva

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Elisabeth Forbes, The Leaf, 1897-1898

sabes, no silêncio são memória viva as pedras flamejantes da lareira grande
mãos invisíveis de cobertor que confortam as faces de rosas em brasa –

faz algum tempo crescia em mim este destino, este cavalgar de ondas
como o navio de espelhos de um outro poeta, sem ritmo e sem regras
no único princípio de um pensamento: não devemos guardar as palavras
mesmo que digam muito e nunca digam tudo nas fronteiras de signo –

de novo a ordem incerta dos versos incendeia-me os sentidos e as mãos voam
na forma que te define: as curvas do ombro, o caminho conhecido de um sinal
a extensão longilínea, até onde o braço desliza –

sabes,existes magnífica,sempre que os olhos se fecham nestas planícies sem limites
e, se a perfeição é um mito, subsistes única, ali tão perto
singular e significativa, naquele fragmento vivido por onde flutuam os jacintos
aromas, gestos de sinfonia e o som dos violinos –

não imaginei as ondas altas, o sal e as algas em agitada dança
procurando essa praia de areias movediças. 
e, tudo começou na tua natureza de seres sensível
antes de ser Natal e antes de ser um primeiro dia
quando recolhíamos pinhas em chão de carumas, naquele sussurro de sorrisos -

para ir além da promessa, das folhas estaladiças, da superfície
ao luminoso lugar onde se desvela a utopia –

josé ferreira

1 comentário:

Anabela Couto Brasinha disse...

Sim, "não devemos esquecer as palavras", "para ir além da promessa".