segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A casa

A casa está desabitada –
Não há calor nem frio
Não há emoção nem sentimento
Ninguém a habita e eu estou aqui
Sozinho. Se passeasse pelo interior,
Talvez o fogo me aquecesse
Mas não, o fogo está apagado

A casa é somente ideia,
Se ao menos fosse nítida,
A ideia torna iguais
Todas as casas, e essa casa
Nítida vive apenas na minha memória,
Ou na minha saudade

Quando aqui cheguei pude reparar –
As heras haviam tomado todas as paredes,
E olhando as heras pensei em ti
E na destruição da casa –
Entrei na sala das teias do tempo,
A um canto num fio pendente de uma teia
Cintilava o teu sorriso
A outro canto, a maciez dos teus afetos,
E o frio tomou-me o coração

Havia mais dois cantos habitados –
Coisas do dia-a-dia acumuladas 
E o teu sofrido cansaço
Mas a tua sombra escondeu a teia
E os fios da vida e os caminhos –
A cada memória sucede um abismo –
O vazio encheu o espaço da minha alma

De súbito, a sorrir-me enigmática
Veio a Morte, visita costumeira desta casa
Agora definitivamente
Despojada do fogo primordial – 

José Almeida da Silva
22.01.2016

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