quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Quart(z)o adverso


Imagem daqui

sobressaíram poucos sonhos na noite pesada.
cada um para seu lado na prisão das almofadas.
não é uma novidade nessa clausura de Bergman:
um olhar fixo sobre a praia cinza, uma máscara branca
a porcelana fina –
existem marcas nos tectos da casa por detrás de portas fechadas.
as marcas não se pronunciam, subsistem e são sem ruído.
respira-se um ar de chumbo como na subida de uma serra fria:
sob um nevoeiro opaco, lento, contínuo, onde se inscrevem signos
palavras de caligrafia sem o som da língua
silêncios recorrentes na improbabilidade dos caminhos –


não estamos longe nem perto nesse quartzo adverso  –

josé ferreira 13 janeiro 2015

3 comentários:

Ana Luísa Amaral disse...

Gosto muito, muito, José!
Um abraço grande,
ana luisa

josé ferreira disse...

Obrigado Ana Luísa

Abraço grande

Anabela Couto Brasinha disse...

Belo poema,
apesar de tudo respira-se no poema.
Continuação de bons escritos José,
Abraço e Sorriso