terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sonhos de Natal

É frio o tempo, e há que aconchegar-nos,
Agora os dias são de vento anunciador –
E haja o que houver, a ternura que circula
No sangue do amor vai trazer de volta
Sonhos e calor – e a Mãe sorrindo já foi
Para a cozinha, e no balcão, fervido o leite, o óleo,
A casca de limão e o sal fino, juntou-lhe a farinha
E amassou-a com as mãos de afetos, e o coração
Alegre esperou pela massa a arrefecer. Juntou, depois,
Os ovos, um a um, como aos filhos da sagrada união.
O calor do amor subiu, e as colheradas de massa muito fina
Fizeram-se nuvens bem douradas, polvilhadas com açúcar
Em pó e com canela – ouro de estrelas muito belas a piscar.
O brilho dos olhares e os sorrisos invadiram, então, a casa toda
(Ah o bem-estar que vem de dentro desta dulcíssima memória!) –

O vento do Natal faz circular o cheiro quente dos sonhos a frigir
Nos corações, uma espécie de música que toca o verbo amar –


José Almeida da Silva, 2014.12.20

2 comentários:

Mar Arável disse...

Ano novo

ou novo ano?

Ana Luísa Amaral disse...

Que poema tão bonito, José!
Um beijinho,
ana luisa