sexta-feira, 8 de agosto de 2014

De mim falarei somente


 
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De mim falarei somente
nesse fim de tarde de uma Noite opaca.
As estrelas serão então a única luz
– Candeia de lua dançando para mim
no mar da ternura dos teus olhos.
Não sei o que direi. Não o medo, por certo.
Nem a alegria dos momentos felizes,
por certo, também não. Essa vive há tempos
na eternidade da nossa memória.

Falarei decerto do amor colhido da árvore
dos dias em que não estivemos de mãos dadas
– Tempo de chuvas e dores, e um vento de ira
que levava a nossa ternura para longe do coração.

Em silêncio os teus dedos leves fecharão os meus olhos
sem luz. Depois, se eu puder e a verdade sorrir,
hei de acenar-te da luz da Estrela da Manhã
como se te dissesse só então o Amor
de corpo inteiro – disse o meu pai.

José Almeida da Silva


1 comentário:

Sousa disse...

Que bela forma de amar o pai.
Quanta dor guardada no peito e lançada ao vento que passa.. Simplesmente maravilhoso!