sábado, 5 de julho de 2014

Amor em vias de extinção

Oh! os ecológicos e ah! os conscientes
Louvores aos que pensam nos filhos e no futuro
Isso, icem
bandeiras por um mundo melhor
Um melhor do mundo a mais de azul e quase nada químico
E a água aproveitadinha gota-a-gota
e os recursos
Reciclados
Tudo limpo e as focas assépticas e bonitas, de pêlo luzidio

e enquanto isso

Milhões de corações solitários bombeiam disciplinadamente um sangue que não corre por ninguém
Milhões de peles intocadas jazem à espera de uma mão que as contorne
Milhões de lábios selam bocas que não sabem o/a beijo

Impiedosos ambientalistas que não se lembram, dos desperdícios humanos, do desejo, do toque,
do amor em vias de extinção

3 comentários:

Elza disse...

Já não passeava pelo mar que parece azeite há um tempo. Que surpresa boa encontrar a Marlene. Adorei ler este amor em vias de extinção, esta reflexão sobre os que tanto lutam(os) às vezes sem nem saber porquê. E ainda assim, a solidão, enorme. Vale sempre a pena lutar pelo ambiente, pelos animais, pelo não desperdício, mas de nada valerá a pena, se se deixam de lado as pessoas, e já só há o amor, em vias de extinção - "Milhões de corações solitários bombeiam disciplinadamente um sangue que não corre por ninguém" - imagem tão forte!!! Beijinhos Marlene, parabéns.

Marlene disse...

Olá Elza. E que bom saber de ti! Pois é, eu também não vinha espreitar o blog há muito. E faltei a todos os encontros possíveis e imaginários. Mas muitas vezes assalta-me a nostalgia dos bons tempos passados a partilhar poesia e palavras em geral. Espero sinceramente que todos estejam bem e cheios do que neste meu texto se extingue.
Beijinhos para ti.

marcia lailin disse...

lindo esse amor agora extinto