quarta-feira, 19 de março de 2014

sublima

femme-couchee-dans-feuilles-mortes-detendue-bras-en-arriere-yeux-fermes
imagem daqui

a velocidade aflita pode ser o fundamento
para o teu  zig-zag permanente :
os teus olhos de horizonte
os teus passos de gazela
os teus cabelos fulminantes  –

a não procura de um rumo é a negação do absoluto.
a certeza do transitório e do fugidio.
uma flânerie como diria Baudelaire.
por vezes, o instinto na distância da razão
por vezes, a velocidade da lebre e o sono das árvores
por vezes,  o casulo de seda sem a iminência do vulcão –

alguém disse: é da experiência singular que nasce a obra de arte.
emoção e acto que interage, a procura de um outro espaço
a libertação do tempo: a nudez do sentimento -

senta-te no banco de um jardim. 
recebe a luz e a sombra de uma forma natural.
 elimina a rotina dos teus olhos de cidade:
o excesso de imagem, o mar de signos
o esforço mínimo de abstracção, a transcendência impossível
o ruído, o ruído, o ruído -

pára, desce as pálpebras, sublima -

josé ferreira 19 março 2014







1 comentário:

José Almeida da Silva disse...

É verdade que o stress que se impõe à vida ("a velocidade aflita")não permite o encontro com o inefável. É verdade o que dizem: quando alguém "desce as pálpebras" busca o silêncio activo que gera algo nunca experienciado desse modo- e surge a arte, eis o momento sublime. Então, o ser entra em contacto com o absoluto, como se fosse um místico("a não procura de um rumo é a negação do absoluto"), sem deixar, todavia, o mundo em que vive, com a funda consciência de si e do universo.

Gostei muito, José!

Um abraço poético,

José