sábado, 1 de março de 2014

Grande galope






Cresce um vento na estrada
em dia de trânsito
que vai convencendo em brisa um olhar rotundo
trocando direcção por escala mínima de verde 
agasalhado pelo musgo

deitamo-nos com esse vento fino devagar
lembrando as árvores e a vergonha da cadência exata 
com que as fizeram nascer
adormecemos em ramos lentos 
abandonando o galope das grandes carruagens
(e talvez sejam só dois
tu e a morte na carruagem 
que a eternidade não se prende com detalhes tão pequenos
ou períodos de dor revisitados)

acenar ao trânsito do grande galope
é tão válido como a rota não parar 
depois de flores terem sido excessivamente abertas  

um pedaço de natureza milenar 
cresce-nos à solta no cérebro
sem cavalo, a soma do convite ao universo 
e do silêncio na resposta


ou em cio de luz 
um olhar de rapina teu e 
e de todos os bichos em simultâneo a uma estrela
até que ela se desvie 

1 comentário:

Joana Espain disse...

Cá deixo dois textos de um velho diálogo com a Emily.

Abraço, Joana