domingo, 2 de fevereiro de 2014

a noite de winter (soneto improvável)

Saul Leiter


a minha cidade está escura na noite de winter.
caem ainda as folhas dos plátanos, secas e castanhas  pelo vento frio.
forram as artérias do jardim, rodeiam as grandes tílias.
não há nenúfares no lago.  as águas estão geladas, vazias –

na noite de winter não surgem sonhos azuis.
a escuridão preenche as esquinas.
a solidão está escrita na luva que aperta a gola
para que a garganta não esfrie –

não é este o teu modo, a tua sina
- sopram vozes caídas do infinito -
porque és assim em melancolia  e sem ritmo?

passos ecoam invisíveis na incerteza do caminho.
nos lampiões pousam os corvos.
onde andam as cotovias?


josé ferreira 30 Janeiro 2014

1 comentário:

Elza disse...

na noite de winter (...)a solidão está escrita na luva que aperta a gola(...) para que a garganta não esfrie –'

Gosto tanto. E Winter, o que, ou quem será?...