sábado, 12 de outubro de 2013

o poema na oscilação do pêndulo

Magritte

Tinha que escrever, disse,  enquanto se debruçava sobre a mesa
Não importava que fosse sobre a chuva ou a inclinação do sol
Sobre uma nuvem que se deslocava nas mãos do vento
Ou sobre as estrelas que eram ou haviam de nascer
E se incendeiam como se fossem fogueiras ao longe  –

O homem e a sua  circunstância, dizia o filósofo e jornalista
A cidade e o campo, o asfalto e o bosque, o lago e o rio
O contexto aberto de um semáforo, vermelho e verde
O azul no reflexo dos olhos das mulheres e das crianças
Mais leves, mais soltas numa estrutura de essências –

Precisava da caneta, de um  papel branco e não era um conto
Um verso, precisava de um verso como caravela desbravando –

Hoje é o dia dos teus anos, dizia uma voz distante
Reboando infinita como a voz dos deuses
Hoje é o dia dos teus anos, um microssegundo apenas na história humana –

Hoje é o dia dos teus anos, um na estória de horizontes
Não se imobiliza e o pêndulo avança –    


josé ferreira 11 outubro 2013

2 comentários:

Anabela Couto Brasinha disse...

Olá!

Lembrei de verso de Li Shang-yin,

«Num sonho deram-me um pincel de muitas cores
Para escrever nas pétalas uma mensagem às nuvensda manhã.»

Por há quem tenha de escrever!
Continuação de bons escritos,

Abraço

Mar Arável disse...

Que se ouça o pêndulo

no tempo a desnascer