terça-feira, 30 de julho de 2013

Aquela Triste e Leda Madrugada





Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade,
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se d`ua outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
que duns e doutros olhos derivadas,
s`acrescentaram em grande e largo rio;

Ela viu as palavras magoadas,
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso as almas condenadas.

Luís de Camões

2 comentários:

josé ferreira disse...

Anabela, foi através dos sonetos de Camões que a poesia começou a bater à minha porta.

Obrigado por publicares

Anabela Brasinha disse...

Não tens de agradecer.
Este é o meu preferido,
fico sempre muito feliz de saber que existe a poesia!
Bons escritos,
Abraço