sábado, 29 de junho de 2013

Bordar poemas quando os poemas saem de passagem

                                     José Ferreira (pastel baseado em Vermeer)

                                                   o que fazer quando tudo arde?


As janelas abrem
os poemas saem de passagem
versos e rimas; ritmos símios
trajectos de lianas nas selvas
da mensagem.

Vertigem sem sinal antes do fim de página
nas costas de um formulário, benefício
exacto de um suspenso final
abrupto se descubro
que se esconde a veia
revolteia o tema
no consumé das palavras, nas saladas
das ideias, ratoeiras de pontes,
vidas e contos, cegonha de fontes,
bacia das baías, promontório,
esquinas das memórias
Rainhas!

Seguem os ventos, a rosa dos sentidos
-sérias ou traquinas as melodias.
farinha de afectos ou castigo,
ironias desfolhadas aos pedaços,
filosofia; jardins, vestidos,
maresia,estrelas, lua,
recantos e cortinas, os contornos
e os traços das Marias!

Pesam de socorros como lastro
os poemas.

Mares de surpresa,
fluido plâncton de diademas,
anémonas e corais, golfinhos
e baleias, coloridos palhaços
tropicais de leme e brânquias.
Melodias de Corelli, paraísos
de túnicas, finas musas
no cintilo de cristais!

Às quartas-feiras os poemas
e as magias, bençãos divinas,
esquiços de traços e linhas,
sensíveis liames imersos
na descoberta das fatias;
bolos de cereja e licores,
lumes vivos, pés mansos razias,
acertos, partilhas unidas.

Quando chega a noite
abrem-se os poemas
um vaso de estrelas
a planta do céu
o aroma dos dias!



josé ferreira  dezembro de 2008

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