sábado, 23 de março de 2013

escrevo-te (XIV) - quando a luz é seta


                                        imagem daqui


escrevo-te pela manhã luminosa e depois do arco aberto das pontes.
a luz é uma filigrana que atravessa a abertura da porta
simbólica no dourado, real no soalho
no verniz laminado das tábuas
e há silêncio entre nós, uma melancolia breve que por vezes surge
que atravessa a nado o rio criando o ruído das águas
 águas que se afastam no remo dos braços
uma melancolia breve que se espelha nos olhos
quando o rio abre -

escrevo-te na púrpura da época e sem definições exactas
talvez só mais à frente se possa criar uma escultura com as letras
talvez só mais à frente se possa medir o pulso e os batimentos
talvez só mais à frente se possa abrir e fechar os lábios
talvez só mais à frente se possa caminhar pela lonjura dos dedos
pelas suas linhas concretas
e talvez por isso te escrevo hoje
quando a luz é seta, sobre os nós de antigas árvores-

quando a luz é seta e a melancolia é breve -

josé ferreira 22 março 2013

1 comentário:

Mar Arável disse...

Um dia seremos de novo crianças

com boas memórias